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Gestores aperfei�oam desvio de recursos

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As tecnologias e métodos para tentar conter as práticas de corrupção que se alastram no País evoluíram, mas no mesmo caminho segue o crime organizado, que busca formas de adaptação e muda o modus operandi (modo de agir) para dilapidar o patrimônio público e manter o enriquecimento ilícito. Na segunda reportagem sobre a ação da Polícia Federal (PF) e de instituições como o Ministério Público Federal (MPF) para barrar o crime, que tem como alvo o dinheiro público, a Gazeta mostra como as chamadas organizações agem para sobreviver. ?É uma adaptação. Cada vez que a gente vai fazer uma operação, que desvendamos os crimes, o crime organizado tenta se readequar, mudar o seu modus operandi, sua forma de agir para não cair nos mesmos erros?, afirma o superintendente adjunto da PF em Alagoas, André Santos Costa, ao dizer que ?o servidor público quando se acostuma com o dinheiro ilícito, não consegue mais viver sem isso. Precisa complementar essa renda através da fraude, da corrupção?. A Gazeta indagou ao delegado federal se as organizações criminosas estão ficando mais inteligentes. ?Eles [os integrantes das organizações] tentam ver como foi que a polícia descobriu e mudam o modo de operar. Mas, na realidade, são os mesmos atores. A gente já teve operações aqui [em Alagoas] em que foram presas as mesmas pessoas?, revela. MAIS CAUTELOSOS Além de mudar a forma de agir, os envolvidos nas práticas de corrupção contra os cofres públicos também estão cada vez mais cautelosos, segundo informa o delegado federal André Costa. ?Estão mais cuidadosos. As fraudes são mais bem feitas. Do mesmo jeito que a polícia vai evoluindo, obtendo mais recursos tecnológicos, se especializando mais, se aprofundando no conhecimento daquela matéria, o crime organizado vai usando mais recursos tecnológicos, financeiros, se especializando, estudando formas de cometer a fraude?, revela. E é nas licitações públicas que as organizações criminosas encontram, segundo o delegado André Costa, campo fértil para as fraudes. ?Porque todo gasto público tem que ser licitado. A fraude, então, começa na licitação?, disse. Em Alagoas, o delegado André Costa revela que ?quase a totalidade das empresas envolvidas nas práticas criminosas são do próprio Estado. Até porque Alagoas é um Estado pequeno, todo mundo se conhece, então conhece o empresário, o político, já começa a ligação nas eleições, a financiar [campanha], ajudar. Tem de microempresa a grande empresa?, afirma. Em ano eleitoral, como será 2016, a preocupação de quem trabalha para tentar combater o crime só aumenta, como confirma o superintendente adjunto da PF, André Costa. ?Com certeza. A gente fica mais atento, porque é o início de um novo ciclo, vamos dizer assim. No momento em que um político consegue se eleger comprando voto e fazendo gastos indevidos na campanha, a gente sabe que é o início de um ciclo de mais quatro anos e que certamente fraudes e desvios de recursos serão praticados?, ressalta.

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