Política
Alunos da Escola Rosalvo L�bo ainda sofrem com obra sem fim
Era uma vez um reino distante que teve a decisão de reformar todas as escolas com problemas de estrutura o mais rápido possível. O governo de antanho até baixou um decreto de urgência para acelerar as obras e tocá-las de uma vez só, como em passe de mágica. Até parece conto de fadas, mas o roteiro acima foi infelizmente adaptado para a vida real de um pequeno Estado brasileiro, que até hoje sofre com os efeitos desta aventura digna das piores estripulias narradas em fábulas da Carochinha. A tal emergência para ?consertar? quase 200 escolas hoje parece apenas história de Trancoso. Serviu muito mais para dispensar a licitação, frustrar o caráter competitivo, contratar construtoras com sobrepreço, superfaturamento e pagar pelos serviços sem fiscalização, como apontam o Ministério Público Estadual (MP) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Ou nas palavras da promotora Cecília Carnaúba, ?houve falta de lealdade das firmas contratadas, pagamentos sem nenhum rigor técnico, enfim, foi um desleixo total?. Tanto que a situação de emergência decretada em setembro de 2011 deveria se encerrar em 180 dias, mas foi sucessivamente prorrogada, impedindo qualquer possibilidade de licitação pública. Ao ponto de hoje, quatro anos e meio depois do pomposo anúncio, ainda ter escolas passando por reformas, reparos, ajustes ou precisando ajeitar os estragos deixados pelo serviço preguiçoso, ridículo, seboso ou até mesmo larápio realizado no ambiente de estudo de milhares de crianças e adolescentes de Alagoas. Na terceira reportagem da série sobre as escolas deformadas, a Gazeta visita uma das que passou pelos piores dramas nos últimos anos. Após o teto desabar, uma construtora abandonar as obras, um porteiro morrer num tiroteio entre alunos e passar quase dois anos sem aulas, a Escola Estadual Rosalvo Lôbo ainda está em obras.