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‘N�o h� consenso no PMDB’, diz cientista pol�tica

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Em meio a um processo histórico que divide o Brasil em ?prós e contra a Nação?, a Gazeta recorreu à ciência política para traçar o passo a passo do que essa teia significa. A crise, que pode desembocar no impeachment da presidente Dilma, seria de fato um atentado à Constituição Federal ? como afirmam os governistas ? que aponta para um golpe armado pela extrema direita? Ou reflexo do descompasso no qual mergulhou a política brasileira? Quem explica é a professora Luciana Santana, doutora em Ciência Política, coordenadora do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pesquisadora do Centro de Estudos Legislativos da Universidade Federal de Minas Gerais. Gazeta. Neste momento, é possível avaliar se estamos a um passo do impedimento da presidente ou não? Luciana Santana. Estamos a um passo de uma decisão política que deixará parte do País descontente, essa é a única certeza. Para que o impeachment não seja aprovado, Dilma e seu governo precisarão suar muito a camisa em busca de votos. O que significa para a ciência política o rompimento do PMDB com o governo federal, de quem até então era aliado? Significa perder um parceiro forte e importante dentro da coalizão de governo, aliança necessária para que o governo tenha maioria legislativa no âmbito do Congresso Nacional. Esse rompimento, que já era esperado e vinha sendo anunciado, pode agravar a crise política no País? A crise política já atingiu um patamar muito elevado, acredito que não há como ficar pior. Agora temos que aguardar os próximos passos do governo e observar quais serão as alternativas para reestruturar o governo em curto prazo. Além disso, aguardar as decisões no âmbito da Câmara dos Deputados em relação ao processo do impeachment. A saída do PMDB pode abrir caminho para o impeachment da presidente Dilma, já que o partido é o maior em números, tem uma bancada forte e, historicamente, é também o mais antigo? A saída do PMDB deixa o governo mais fragilizado para conseguir a quantidade de votos necessária para barrar o impeachment. Teria sido essa saída uma estratégia para enfraquecer ainda mais o governo de Dilma e abrir caminho para o PMDB governar a Nação? Para uma ala do PMDB, sim, mas como o próprio partido não tem uma posição unificada, fica difícil analisar seus passos. De qualquer forma, o impeachment é a oportunidade mais fácil (no curto prazo) para o PMDB voltar ao cargo de poder mais alto na hierarquia no Brasil. Existem hoje dois PMDBs: o que defende a saída de Dilma e o que não defende o impeachment. O que significa isso? Interesse político, cargos? O PMDB é um partido muito dividido e com características diferentes na arena política nacional e nas diferentes regiões do País. Isso ajuda a explicar por que o PMDB não tem candidaturas próprias há muitas eleições. Não há unidade interna para lançar um nome para a disputa nacional. A situação atual do partido só corrobora minha posição. Não há consenso sobre a posição do partido que decidiu sair do governo, mas que demonstra desagrado com o processo do impeachment e/ou não quer deixar de ocupar espaço no governo. Respondendo a sua pergunta, eu diria que é uma estratégia de sobrevivência política. E, por isso, em muitas situações fica em cima do muro. Na esfera nacional, o PMDB se apresenta como um partido que deseja estar junto da condução política do País. É uma característica do partido, da qual sou muito crítica.

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