Política
Grupo pr�-Dilma quer indecisos
Os votos são contados um a um. Não há, por enquanto, um placar definido e, por isso mesmo, todo cuidado é pouco para os dois lados: o de quem está na base governista e o de quem defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foi neste clima que Brasília (DF) encerrou a semana e é neste clima que uma nova etapa começa. As duas partes sabem que vencerá quem tiver o maior poder de convencimento e barganha. Nesse momento, é a permanência no poder ou a queda que está em jogo. A articulação para salvar o mandato de Dilma é liderada pelo ex-presidente Lula, que tem batido de porta em porta para socorrer o governo num momento de reta final para uma decisão que pode resultar no impedimento da presidente. O corpo a corpo não poupa nem mesmo os parlamentares do PMDB, partido que na semana passada decidiu romper com o governo e seguir na oposição a Dilma, porém um tanto quanto dividido, já que uma parte de seus integrantes não aprovou a medida, principalmente aqueles que não abrem mão dos cargos federais a eles destinados na cota partidária definida no início da gestão da presidente. Muitos desses ainda estão estudando o voto que darão quando o processo chegar a plenário na Câmara: se votarão pelo impedimento ou ficarão com Dilma. E é justamente nos indecisos que o PT e o grupo pró-Dilma está apostando, como afirma o deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, presidente do PT em Alagoas. ?Quando conquistamos um voto, seguramente conquistamos outros, já que um deputado pode convencer quem está indeciso a não votar no impedimento da presidente?, afirma. Segundo Paulão, esta semana que se inicia será para fortalecer ainda mais o trabalho da base aliada, ?estabelecer o sentimento de rua de que não vai ter impedimento porque não há lastro jurídico para isso. Sem amparo jurídico, não é impedimento, é golpe e a direita mostra que está com a tatuagem na testa?, afirma, ao dizer que o movimento nas ruas visa reafirmar à população ?que o que está em jogo não é apenas o mandato da presidente Dilma, mas a democracia?. Esse, ressalta o deputado, tem sido o processo cotidiano. ?Estamos cada vez mais avançando e conquistando os votos necessários para não deixar passar o impedimento?, disse.