Política
Programa do Leite pode ser suspenso em Alagoas
A crise econômica e recessiva que o País vive atingiu o Programa do Leite em Alagoas. Atualmente, 80 mil famílias de baixa renda, 25 mil delas de Maceió, recebem diariamente um litro de leite de graça. O governo federal diz não ter dinheiro para manter o programa. 80 mil pessoas vão deixar de receber o leite. Inicialmente o programa terá um corte de 50%, mas corre o risco de ser extinto. O governo federal mandou desacelerar (cortar) o atendimento. Ontem, os produtores de leite, presidente de cooperativas agropecuárias, presidente de associações comunitárias, deputados federais, técnicos da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura realizaram uma reunião de emergência com a secretaria de Agricultura para discutir medidas alternativas para manter o programa. Além de deixar milhares de família sem leite, o fim do programa ameaça 4.700 micros e pequenos produtores ligados à Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), que garantem mais de 20 mil empregos nas regiões produtoras. A reunião foi convocada pelo presidente da CPLA, Aldemário Monteiro. ?O governo federal cortou quase 50% dos recursos do programa do leite, cerca de R$ 9 milhões. A medida atinge 4.700 mil micros e pequenos criadores que atendem 80 mil pessoas que recebem diariamente um litro de leite?, disse o presidente da CPLA. No ano passado o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate a Fome destinou R$ 28 milhões para o Programa do Leite em Alagoas. Este ano, o MDS vai destinar R$ 19 milhões. O secretário estadual de Agricultura, Pesca e Aquicultura, Álvaro Vasconcelos, ao participar ontem na sede da Pecuária de Maceió, disse aos produtores rurais que o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome não tem recurso para manter o programa. ?Desde o ano passado, o Ministério vem pedindo para desacelerar (reduzir) este programa que é de grande importância social para um estado pobre como Alagoas?. A crise não é nova. No ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Social não repassou o pagamento de dois meses do Programa do Leite. Para não deixar as famílias desassistidas nos meses de novembro e dezembro, o governador Renan Filho (PMDB) bancou a dívida do ministério, algo em torno de R$ 4 milhões. O MDS justificou que não tinha recursos para repassar.