Política
Renan prega a unidade e a renova��o no PMDB
ARNALDO FERREIRA O Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB trabalha internamente para acabar com as divisões entre os caciques nacionais. Quer voltar a ser o maior do Ocidente, como na época da ditadura militar, para ter condições de disputar a Presidência da República, provavelmente em 2006. No caso particular de Alagoas, o projeto é disputar o governo na sucessão de Ronaldo Lessa. Por isso, a aliança com o PSB é considerada estratégica e tem o aval da direção nacional. Na verdade, uma movimentação semelhante acontece na maioria dos estados. Um dos principais articuladores dos dois projetos é o senador alagoano e líder do partido no Senado, Renan Calheiros. Ao revelar os motivos que o levaram a desistir de disputar a presidência do Senado num dos momentos de tensão interna do PMDB, há 20 dias, e o porquê de abrir mão da candidatura para o colega senador José Sarney (MA), disse Renan: ?Estamos mais maduros. Tudo foi feito para fortalecer o partido e tentar construir a união das correntes peemedebistas?. Nada foi por acaso. Cada passo que o PMDB dá, hoje, faz parte de uma estratégia política muito bem costurada. Nacionalmente, busca a coesão de sua base e dos caciques. Renan também trabalha na unidade dos PMDBs do Norte, Nordeste, do eixo Rio-São Paulo e do Sul. ?Desisti da candidatura à presidência do Senado por dois motivos: para a unidade partidária e para nosso fortalecimento. Quero cumprir o papel estratégico no PMDB? , disse o senador ao confirmar as especulações de que o partido trabalha para disputar cadeiras estratégicas em 2006, uma delas a da Presidência da República. Depois do desgaste durante a disputa à presidência do Senado, o que ficou claro para os caciques é que as brigas internas enfraqueceram o partido na base e politicamente impediram a retomada de postos na estrutura do poder. ?Ninguém mais está disposto a gastar as energias com brigas internas que não acabam nunca e não servem para nada?, sustentou Renan Calheiros. +++ Peemedebistas querem desengavetar reformas O PMDB, no entanto, não se renovou ao longo dos últimos 20 anos. Renan Calheiros diz que o partido continua como o maior no Congresso. Porém, reconhece que não apresenta quadros novos, nem mostra novidades programáticas para ajudar o País a retomar o crescimento econômico com justiça social. Curiosamente, o último presidente do partido, o hoje senador José Sarney (MA), deixou o País mergulhado numa crise econômica e vivendo uma hiperinflação. Renan, na entrevista que concedeu à GAZETA DE ALAGOAS, reconheceu que seu partido precisa oxigenar, ampliar as bases, ganhar conteúdo para que possa ser um interlocutor de confiança e forte da sociedade. Deixou escapar o projeto político do partido, que quer voltar a governar a maioria dos Estados e, se a estratégia evoluir, o objetivo é a Presidência da República. As brigas internas entre os radicais do Partido dos Trabalhadores (PT) e o grupo de petistas fiéis ao presidente Lula também servem de lição para o PMDB e os outros partidos. Porém, Renan prefere evitar as considerações críticas sobre o atual momento do PT e joga panos quentes na crise. ?O PT é um partido democrático, tem várias correntes, seus pontos e linhas programáticas são discutidos dentro das suas instâncias partidárias?. Avaliou que ?é normal um partido com várias tendências e de perfil democrático ter seus conflitos entre as correntes de pensamento?. ?O PMDB tem pressa de resolver logo a agenda perdida?, disse ao se referir às reformas fiscal, econômica, política e previdenciária que há mais de 10 anos estão empacadas no Congresso Nacional. Defende que a primeira reforma a ser feita é em toda a estrutura da Previdência Social. ?Estamos preocupados com o déficit previdenciário. Mas esta não é a única questão que tem de ser debatida na reforma da Previdência. O partido entende que a Previdência tem de voltar a ser um instrumento de justiça social, de distribuição de renda?. Paralelamente, os peemedebistas querem fazer a reforma trabalhista. O objetivo é tirar milhares de pessoas da informalidade. ?O Brasil precisa se modernizar e gerar empregos?. Hoje, nada lembra as divergências políticas que haviam entre Renan Calheiros e o governador Ronaldo Lessa (PSB). Na campanha eleitoral selaram um pacto político para garantir o projeto de reeleição dos dois. Atualmente, vivem em clima de fraternidade e de aliança política, se jogam confetes o tempo inteiro. ?Renan entendeu nosso projeto político. O nosso objetivo fundamental é construir um novo momento político e perseguir o desenvolvimento de Alagoas. Temos a responsabilidade de mudar a situação que nos coloca com os piores indicadores. Acredito que só vamos poder fazer isso se estivermos unidos?, diz Ronaldo Lessa. Renan não faz por menos. Nas aparições públicas, como a que aconteceu na última segunda-feira, durante a inauguração da duplicação da pista de pouso do Aeroporto Zumbi dos Palmares, assegurou que Alagoas vive um novo momento, de respeito à aplicação ao dinheiro público. Rasgou elogios à estratégia política de Lessa, que articulou para a próxima terça-feira o encontro de governadores nordestinos em Maceió. ?Também considera ser importante a aproximação entre os governadores do Nordeste. O Congresso vai ter de apressar a discussão das reformas que o Brasil precisa fazer. Portanto, este fórum de governadores facilitará a aprovação das reformas, sem traumas?, acredita Renan .(AF)