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PCdoB critica radicalismo do PT e defende alian�as amplas

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O presidente do diretório estadual do PCdoB, Edberto Ticianelli Pinto, disse, nesta entrevista exclusiva, que o partido quer voltar a ser um instrumento de luta e organização das massas como no tempoque lutava contra a ditadura militar. Para isso, trabalha para voltar ocupar espaços nos sindicatos, no movimento estudantil, nas entidades comunitárias. Além disso, quer ser poder. Mesmo ocupando cargos e a Secretaria de Cultura no governo Lessa, o PCdoB promete lançar Eduardo Bonfim (secretário de Cultura) como o candidato a prefeito de Maceió. Ticianelli condenou também o radicalismo do grupo da senadora Heloísa Helena (PT-AL) e defendeu Lula. +++ - O PCdoB tinha quadros nos sindicatos, no movimento estudantil, nas comunidades. Cadê as bandeiras do PCdoB? O que aconteceu depois da redemocratização do Brasil? - Durante o período da ditadura militar o partido entendia a necessidade da nossa militância ocupar espaços nos sindicatos, nas entidades estudantis, nas associações comunitárias, manter uma participação com ação política. Com o fim da ditadura, acho que o partido não conseguiu definir claramente a importância de nova participação nas entidades de massa. Acho que há uma crise de compreensão sobre a importância dessas entidades. Neste momento trabalhamos para resgatar a nossa participação nos movimentos sociais, nas entidades. - A morte do líder João Amazonas fez o partido perder o rumo nacional de suas ações de militância? - Claro. João Amazonas tem uma história, deu uma contribuição importante na luta e no processo de redemocratização. Temos nele um aprendizado que contribuiu muito para trilhar o partido. Hoje, trabalhamos a compreensão de que há necessidade de o partido ter de deixar claro para a sociedade, para os seus militantes, qual é o seu objetivo de poder. Perdemos a referência de poder. - Qual era a referência? - Nas últimas campanhas ficamos só lançando candidatos a vereador, a deputado. Não disputávamos os executivos. - A impressão que se tem é que nos últimos 10 anos o PCdoB perdeu a identidade ideológica. Ora o partido apoiava projetos de centro, noutros momentos o apoio se voltava mais à esquerda. Esta análise é correta? - Não. Está errada. O partido tem o seu perfil ideológico muito claro: lutamos pelo socialismo. Queremos uma sociedade justa, com direitos humanos preservados, com democracia plena. Agora, os caminhos para chegar a este objetivo são longos. A nossa posição de apoiar candidaturas de diferentes matizes ideológicas em determinados momentos fazia parte de uma estratégia. Hoje a gente percebe que estávamos no caminho certo. Tanto que o PT faz a mesma coisa nacionalmente, com suas alianças mais amplas. Para nós sempre esteve claro que é com alianças amplas que se conquista o poder. - Qual o norte do PCdoB para voltar a ser um partido de massa? - Tivemos uma experiência recente com o Eduardo Bonfim sendo vice na candidatura do deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, na disputa da Prefeitura de Maceió, em 2000. Ali começamos a discussão de que o PC do B tem de mostrar projetos para Maceió. Em 2002, tivemos a eleição para o governo, Bonfim novamente formou com o PT sendo o vice da senadora Heloísa Helena. Assim, mostramos disposição de disputar cargos de Executivo. - Por que a nova estratégia? - Antes a gente tinha uma posição de não disputar cargos de Executivo. Esta era uma posição de congresso partidária. O nosso objetivo era ocupar espaço nos legislativos. Defendíamos, até então, que o partido deveria participar do Legislativo como um palanque para as denúncias e divulgação de nossas idéias programáticas. - Vocês deixaram de lado o denuncismo? - A questão não é essa. A tarefa é esclarecer a opinião pública com denúncias. Nós não praticamos o denuncismo como doença e nem compactuamos com uma coisa dessas. - Onde o partido é forte? - Temos base nos eixos do Rio de Janeiro e São Paulo. No Nordeste, temos os vice-prefeitos de Recife, de Aracaju, a prefeita de Olinda, e o vice-governador do Rio Grande do Norte. - Como é o projeto Ronaldo Lessa? - Ajudamos a eleger o primeiro governo de Ronaldo Lessa, tivemos com ele até o fim do primeiro ano, participamos do governo. Depois houve o rompimento em função da falta de compreensão sobre a necessidade de fortalecer o pólo de esquerda dentro do governo. Naquele primeiro governo, Ronaldo não deu o devido valor a esta idéia. Hoje, o governador fez esta autocrítica publicamente. Nós, também, achamos que não nos empenhamos o suficiente para corrigir esta falha daquele momento. - Lula como aparece neste processo? - Em função da vitória do presidente Lula, ficou confirmada a necessidade que as forças vitoriosas nas eleições da presidência da República estabelecessem, em cada Estado, um núcleo de discussão de um novo projeto de poder nacional. - Aqui acontece um fato semelhante? - O PSB ao apoiar Lula junto com o PCdoB, com o PL e outros partidos estabeleceu uma aliança nacional que gerou reflexo nos estados. - Este novo projeto vai gerar mudanças? - As mudanças que vêm por aí não vai agradar a todo mundo. Vamos ter de enfrentar discordâncias. - Existe perigo de a gente viver uma crise como a da Argentina? - Acho que não. O Brasil tem uma estrutura superior à crise dos nossos vizinhos. Percebo que Lula consegue manobrar com habilidade este processo inicial de transição. Por isso, apoiamos a idéia em Alagoas de criar um conselho de partidos aliados para discutir as novas políticas de cada ministério. Temos de discutir as discordâncias para evitar que elas se transformem num campo de oposição ao governo. - Quer dizer que vocês são contrários ao radicalismo do grupo do PT liderado pela senadora Heloísa Helena? - Claro. Nós não concordamos com este radicalismo. Defendemos a aliança com o PL na época eleitoral. Entendemos que as atitudes tomadas pelo governo federal são corretas. Não podemos cobrar um governo Lula de esquerda porque não foi esse o projeto vitorioso. - Qual o projeto que foi eleito? - Foi o que se propõe tão-somente a resgatar o desenvolvimento do País, tirar os brasileiros da situação de miséria, garantir a nossa soberania, sustentar a pactuação democrática do povo no Poder. A gente tem de reconhecer que tivemos um grande avanço. - Os partidos da base de Lula, entre eles o seu PCdoB, se queixam que a direção estadual do PT que demora resolver a divisão dos cargos federais. Qual é o nó? - O nó da questão é que a discussão está errada. É por isso que o PT não consegue resolver com os aliados essa discussão. Por quê? Acho que temos de discutir primeiro quem está comprometido com o novo governo. Quem está disposto a colher bônus e pagar pelo ônus . Temos de criar o núcleo dos partidos para atuar em defesa do projeto e esse núcleo vai definir como participar do poder com cargos. - Como seu partido vê a reforma administrativa que muda a estrutura do Executivo Estadual? - O Brasil vive um período de transformação. Alagoas precisa acompanhar as transformação. O governador está correto em compreender que as novas forças que ascenderam ao poder no Brasil devem compor e ajudar a Alagoas. - Os partidos pequenos dizem que vocês, do PCdoB, agora estão com Ronaldo. Mas, no calor da campanha das eleições municipais de 2004, saem da base do governo como fizeram outras vezes. Como o PCdoB vê a crítica dos nanicos? - Isto é a falta de compreensão política. Os partidos têm de compreender o nosso projeto político. Não estamos com Ronaldo por fisiologismo. O PCdoB tem uma história. A nossa discussão não é só em torno de cargos, é também política e ideológica. - O governador sabe que vocês terão um projeto para a prefeitura de Maceió em 2004? - Isto está claro para o governador. Veja bem, se o PSB nacionalmente participa da base de Lula, imagine se o presidente da República fosse exigir que em todos o municípios o PSB teria de apoiar todos os candidatos do PT para poder participar do governo dele? Lula não pôde fazer isso porque ficaria sozinho. O governador também não está impondo nada e nem condicionando nada. - Quem será o candidato do PCdoB à Prefeitura de Maceió? - Estamos trabalhando o nome de Eduardo Bonfim. Acho que o nosso candidato amadureceu para assumir o projeto, tem consistência política, experiência administrativa e é um quadro político de articulação ampla.

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