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Fim do Programa do Leite pode criar caos social

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Além de cortar mais de 50% dos recursos do Programa do Leite que atende 80 mil famílias com renda inferior a um salário mínimo, o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (MDS), este ano, ainda não repassou os recursos para pagar 4,7 mil pequenos produtores de leite ligados à agricultura familiar. A dívida chega a R$ 19 milhões. A reclamação dos fornecedores e da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) foi confirmada pelo secretário de Agricultura, Pesca e Aquicultura, Álvaro Vasconcelos. Preocupados com a possibilidade de redução do programa estão as associações comunitárias das Favelas e Grotas de Maceió. As entidades cobram a ampliação na distribuição de leite e dizem que nas comunidades pobres do Estado mais de 700 mil pessoas precisam de leite diariamente e não têm dinheiro para comprar. Alagoas esperava receber este ano R$ 36 milhões para ampliar o atendimento às famílias pobres. No ano passado, o programa custou R$ 28 milhões. Do montante, o governo federal deveria bancar 80% e o governo estadual 20% como contrapartida. Entretanto, o governo de Alagoas cobriu cerca de 40% dos custos porque o Ministério do Desenvolvimento Social não repassou as parcelas referentes aos meses de novembro e dezembro. A situação leva ao desespero 4,7 mil pequenos e micro produtores da agricultura familiar, a maioria ligados à CPLA. A maioria dos produtores reclama de atraso. Um deles é o pequeno pecuarista José Alexandre Júnior, que junto com outros 32 pequenos criadores do Sertão fornecem 500 litros de leite para a manutenção do programa que atende às famílias pobres. ?A gente está cobrando dívida que passa de R$ 10 mil e ainda não sabemos quando vamos receber. A Secretaria de Agricultura diz que não tem dinheiro?, reclamou José, que lidera uma pequena associação de criadores e sabe como explicar aos associados quando eles vão receber pelo que produziram até o momento. Para produzir um litro de leite o agricultor gasta R$ 0,80 e vende para o programa a R$ 1,14. ?O lucro é de R$ 0,34. É com esse dinheiro que a gente compra ração, paga aos ajudantes e se mantém. O atraso nos deixa com dívidas e se continuar assim muitos ficam inviabilizados. O programa também fica ameaçado. A tendência de muitos é buscar outra coisa para fazer e daí vão para as cidades em busca de trabalho?, analisou José Alexandre, que é do município de Piranhas.

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