Política
Novo governo deve penalizar regi�o Nordeste
Se a presidente Dilma Rousseff permanecer no governo por decisão da Câmara dos Deputados, ela terá de construir um novo pacto para garantir a governabilidade econômica. Se o impeachment passar e assumir o vice-presidente Michel Temer (PMDB/SP), ele terá de elaborar novo modelo de governo com novo plano econômico tendo os partido opositores como o PSDB e o DEM como protagonistas, e o PT e outros partidos de esquerda como a nova oposição. Esta é a avaliação de um dos mais importantes economistas de Alagoas, doutor e professor de Economia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Cícero Péricles. O Nordeste poderá sofrer consequências nas duas alternativas de governo. Péricles lembrou que a região foi a mais beneficiada no período Lula (2003-2010) e no primeiro governo Dilma (2011-2014), pelos investimentos em infraestrutura, pelas políticas de desenvolvimento econômico, principalmente as voltadas para o empresariado de pequeno porte, pelas políticas sociais permanentes, como saúde e educação e pelas políticas de transferência de renda, como a previdência e o Bolsa Família. ?Todas as políticas e programas federais tiveram impacto maior no Nordeste, desde a recuperação do poder de compra do salário mínimo ao programa de interiorização do ensino superior. Uma mudança de governo, principalmente se contemplar as críticas e demandas dos grupos econômicos e políticos do Sul e Sudeste, diminuirá, em muito, esse tratamento?, acredita o professor. ?Se ficar Dilma, todos os programas sociais serão mantidos e, talvez, ampliados, porque a lógica do governo é a do crescimento econômico com inclusão social, uma visão política e um programa desde o primeiro mandato de Lula; se mudar, com Temer ou outro presidente apoiado pela oposição atual, teremos, com certeza, uma reavaliação destes programas e políticas, um desmonte do legado ?lulista?, que sempre foi uma bandeira oposicionista.