Política
Pr�-candidatos t�m propostas para �rea de mobilidade urbana
O jornal Gazeta de Alagoas inicia, neste domingo, uma série de reportagens com os pré-candidatos, já declarados, à Prefeitura de Maceió. O espaço é um canal para que eles possam informar ao maceioense suas propostas para as diversas áreas essenciais a uma cidade e a seu povo, como saúde, educação, transporte e iluminação públicos, dentre outros segmentos. Na primeira matéria da série, os pré-candidatos falam sobre mobilidade urbana, temática que tem sido motivo de críticas e debates acirrados País afora. O termo, geralmente empregado para referir-se ao trânsito de veículos e circulação de pedestres, vai além dessa compreensão e passa, essencialmente, pela questão ambiental, pois o excesso de veículos nas ruas gera mais poluição. Que tipo de ações o futuro prefeito de Maceió pretende implementar para garantir mobilidade urbana na capital? Acompanhe a avaliação de cada um e a plataforma de governo que têm definida para o setor. RUI PALMEIRA (PSDB) Desde 2013, nossa gestão está promovendo uma necessária mudança no paradigma de mobilidade urbana em Maceió. E esta mudança diz respeito à atitude de realizar ações que garantam a locomoção do automóvel particular, mas que prioritariamente melhorem a oferta do transporte coletivo. O motorista do carro necessita de novas e melhores vias, e esta gestão construiu obras viárias estruturantes, como as avenidas Josepha de Mello, Paulo Holanda, Pontes de Miranda (Via Litorânea) e Manoel Afonso (esta ainda em construção no Santa Lúcia), assim como pavimentou, com drenagem, inúmeros quilômetros de vias em toda a cidade. Porém, o foco tem que ser direcionado ao transporte coletivo. E é nesse quesito que reside a mudança paradigmática à qual me referi. Em nossa gestão, a prefeitura priorizou o transporte coletivo, com a implantação da Faixa Azul nas Avenidas Durval de Góes Monteiro, Fernandes Lima, Comendador Leão e Dona Constança, importantes vias de grande fluxo de passageiros. Quase totalidade de terminais de ônibus foi reformada, alguns construídos onde nada existia. Em nossa gestão, realizamos o plano de mobilidade da região metropolitana, em parceria com o governo estadual e a tão necessária Licitação do Transporte Coletivo de Maceió, dividindo a cidade em áreas de concessão, contratualizando a oferta de serviços por parte das empresas, ofertando ônibus novos à população ? até julho, serão 150 veículos zero quilômetro em Maceió ? e implementando paulatinamente a integração do sistema. Estamos também investindo em ciclovias, como a recém-inaugurada ciclovia da BR-104, ciclovias na parte alta da cidade, na Josepha de Mello, entre outras. Também estamos modernizando a fiscalização de trânsito, com a reintrodução na cidade da fiscalização eletrônica, modelo mais eficiente para controlar infrações de trânsito e que só penaliza o motorista infrator, além de liberar nossos agentes de trânsito para o trabalho em outras frentes. Continuaremos apoiando a obra do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), contratualizada entre Estado e União, que carece de investimentos federais para sua realização. Para um segundo mandato, vamos continuar apostando e investindo em ciclovias, novas avenidas e transporte coletivo. Vamos investir na implementação total do modelo de transporte coletivo licitado. Ainda em 2013, nossa gestão apresentou à União projetos de grandes obras de mobilidade que juntas somavam R$ 180 milhões. Queremos garantir o apoio da União para implementar esses projetos que eram o BRT (Bus Rapid Transit) na Menino Marcelo (Via Expressa) e outro BRT na Cachoeira do Meirim (Benedito Bentes). PAULO MEMÓRIA (PTC) A questão da mobilidade urbana é uma das oito diretrizes estruturantes do G-8. Trata-se da diretriz ?Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente?. Segundo estudos de urbanistas do Clube de Roma, a humanidade crescerá 95% nas áreas urbanas. As cidades destas áreas já representam 53% da população mundial, e, desta população, aproximadamente 35% vivem amontoadas em favelas. A realidade de Maceió segue exatamente este padrão. As grotas estão todas aí e não me deixam mentir. A mobilidade urbana tem que levar em consideração estes dados. O que fica claro, no entanto, é a lentidão e leniência que caracterizam a atual gestão municipal da nossa cidade, que só agora começa a apresentar investimentos públicos de véspera de eleições. A revisão do Plano Diretor, por exemplo, que ocorre a cada dez anos, só será enviada à Câmara em maio, após seis longos meses de audiências públicas. Discutir com a sociedade é importante, mas os temas e os problemas da cidade precisam de urgência e agilidade, e não ficarem atrelados a uma agenda eleitoral. Estas atitudes tiram, a meu ver, credibilidade do governo. São decisões, ao longo dos últimos quatro anos, tomadas sempre de forma lenta; atrasada e desconectada da emergência que a cidade precisa. Do Plano Diretor faz parte a Mobilidade Urbana, que, no Programa de Governo que estamos elaborando para debater com a sociedade, num futuro governo do G-8, constam 18 propostas, das quais destacamos: dinamização do Bilhete Único e sua integração entre todo o sistema que serve aos transportes públicos de Maceió, inclusive com a regulamentação das chamadas lotações; melhoramento da qualidade dos transportes públicos, com a imediata adequação das empresas de transporte coletivo, para instalação de ar-condicionado em todos os ônibus; implantação de um amplo programa de educação para o trânsito nas redes escolares pública e privada; fiscalização rigorosa de projetos e empreendimentos que gerem impactos na circulação viária; apoio às empresas para treinamento e reciclagem daqueles empregados que trabalham e operam os transportes de massa, melhorando a qualidade da prestação de serviços ao público usuário do sistema e um estudo estatístico profundo dos locais de maior incidência de acidentes de trânsito em Maceió, para intervenção, nestas regiões, pela SMTT, com programas e projetos que vão da engenharia à fiscalização, visando à redução da incidência de acidentes. CÍCERO ALMEIDA (PMDB) Nós avançamos muito durante o período que nós fomos prefeito na área de mobilidade urbana. Os principais pontos de estrangulamento, nós procuramos encontrar solução. Fizemos uma ligação da Gruta até a Via Expressa, passando por dentro do Ouro Preto. Ligamos a Gruta ao Murilópolis, ao Farol. Fizemos mudança no trânsito na Avenida Rotary, quando construímos a Avenida Márcio Canuto; fizemos inúmeras intervenções com quatro grandes viadutos, que melhorou o trânsito naquela área, mas ainda foi pouco. O governo [federal] deu uma série de vantagens e cada um que tentou comprar o seu carrinho comprou. Então, Maceió hoje, e aqui não há nenhuma culpabilidade, mas acho que o prefeito atual deveria ter avançado mais e mais porque tem que haver uma justificativa. Para onde foram os recursos de Maceió nos últimos quatro anos? Deixamos a parte principal da cidade toda ela executada, com um mínimo de recursos, que nós tivemos de uma emenda, que foi a Eco Via Norte. Ela vai resolver toda a situação da parte alta da cidade e de quem vem pela região Norte. Quem vier a ser o prefeito, vai ter obrigação de ter essa obra como prioridade. Você sai do Aeroporto para a região Norte, sem passar pelo centro de Maceió. A obra mais criticada nossa foi a Avenida Pierre Chalita, que hoje está resolvendo o trânsito de Maceió. Toda área de congestionamento, ela deságua hoje pela Pierre Chalita, que vai por dentro do Conjunto José Tenório até a via Expressa. Outras opções têm que acontecer. Há uma expectativa de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), cuja carta de anuência foi assinada por mim, ainda quando prefeito. Acontecendo o projeto da prefeitura, dando certo, e eu sendo prefeito, é uma obra que não terá burocracia, porque será feita em parceria entre o governador e o prefeito, coisa que não existe hoje. Mobilidade urbana é uma prioridade da minha gestão e eu lhe confesso que esse programa já começa a acontecer, e ele já começa a acontecer. Hoje eu tenho uma visão que na grande parceria que estamos montando, conversando, pensando no futuro de Alagoas e de Maceió, dando certo, o prefeito da prefeitura, consolidando-se a candidatura, nós vamos avançar muito nessa área. Tem vários pontos críticos que deveriam ter sido feitos por sua excelência, o prefeito, e não foram. As principais obras dele, foram deixadas por mim: a Josepha de Mello, a sequência de Cruz das Almas a Jacarecica. Maceió ainda tem muito a crescer e tem algumas formas. Por exemplo: existe um projeto do governo do Estado que vai ser uma ligação pela área da Lagoa Mundaú até Coqueiro Seco. Os carros que vêm de toda aquela região vão entrar em Maceió pelo bairro do Vergel. JHC (SOLIDARIEDADE) A mobilidade urbana é um dos principais problemas das grandes e médias cidades brasileiras, especialmente ante a ausência de planejamento. Maceió não foge a essa regra. Com aproximadamente um milhão e duzentos mil habitantes apenas na cidade ? e algo em torno de um milhão e quatrocentos na área metropolitana ?, qualquer maceioense sabe o trabalho hercúleo que é se deslocar dentro de um mesmo bairro. Se, de um lado, as vias se mostram estreitas e improvisadas para a quantidade de carros e motocicletas, por outro lado o transporte público é deficiente, de má qualidade, e não cobre boa parte da cidade. O problema, portanto, possui dois pontos principais: a infraestrutura deficiente e má gestão. Para o primeiro problema, não há segredo: deve-se recorrer a recursos da União, ou financiamento internacional, o que a rede de contatos que possuímos irá viabilizar. Obras como o viaduto da Polícia Federal, na Fernandes Lima, ou o eixo viário do Reginaldo apenas se tornarão viáveis se recursos forem assegurados e racionalmente utilizados. Da mesma forma, são os BRT?s e VLT?s. O primeiro, que utiliza ônibus em corredores exclusivos, com estações de cobrança fora do veículo, é plenamente exequível em nossa capital. Na verdade, causa espécie a resistência em adotar esse modal de transporte, enquanto se prestigia o VLT que não sai do papel, porém é uma promessa que se renova a cada eleição. Para se ter uma ideia, com R$ 5 bilhões é possível construir 10 quilômetros de metrô, entre 40 e 50 quilômetros de estrutura para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), porém 200 quilômetros de vias exclusivas para BRT. Além de eficaz, esse é um modal extremamente barato em relação às demais opções. O segundo ponto, a gestão, é uma realidade mais palpável, porém que pode trazer benefícios equivalentes ao melhoramento da infraestrutura, sem a necessidade de uma oneração excessiva do erário. Uma excelente ideia são os ?aplicativos de mobilidade urbana?. Outra política importante, e exitosa, é o controle de gratuidades de Curitiba, o que termina barateando o valor do transporte para os demais usuários, uma vez que ?gratuidades indevidas? não são concedidas. São várias as medidas de gestão que podem, hoje, ser implantadas, como exemplo, poderíamos citar a política de isenção tributária de Fortaleza, Manaus ou Londrina; ou o projeto IntegraBike de Londrina. Por fim, há a situação do transporte auxiliar feito por taxistas, vans e mototaxistas, sendo que os dois primeiros, hoje, atuam na clandestinidade, sofrendo grande assédio por parte da fiscalização da SMTT, transformada em uma ?fábrica de multas? pela atual administração, inclusive com a polêmica instalação de radares já condenada pelo Ministério Público. PAULÃO (PT) A mobilidade urbana é um desafio das grandes cidades, principalmente as capitais. No caso de Maceió, penso que uma das prioridades deve ser o transporte público, visando à periferia, à classe trabalhadora. Teria que haver um processo licitatório, o que propiciaria a diminuição da tarifa. Infelizmente, hoje existe um cartel muito forte das empresas de ônibus no Brasil. Maceió, que apresenta linhas de pequena extensão, não deveria ter uma das tarifas mais altas do País. Também teríamos que verificar um modelo que contemplasse um modal interligado. Quem mora no Benedito Bentes, por exemplo, conta com ônibus até o Centro, mas se quiser ir para Riacho Doce teria que pagar duas passagens. A questão dos corredores exclusivos de ônibus também é fundamental, com uma frota renovada, de qualidade, com veículos climatizados e com acessibilidade para pessoas com deficiência. Outra ideia é facilitar o acesso da população da periferia ao lazer de sol e mar, com ônibus gratuitos aos domingos. Outro desafio é a questão do ciclismo. A juventude e a classe média começam a utilizar as bicicletas para melhorar qualidade de vida. Necessitamos ter ciclovias bem sinalizadas, principalmente nas grandes avenidas de Maceió. Outra proposta seria melhorar e aumentar a malha da CBTU, por intermédio de convênio, ampliando a linha que já existe, que vai de Maceió até Rio Largo. A nova linha iria até o aeroporto. Também necessitamos de uma linha do Centro até a parte Norte da cidade. A discussão da reforma urbana é outro ponto. Após as 18h, o centro de Maceió fica totalmente morto. Uma saída seria estabelecer um imposto progressivo, a exemplo do que fez a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que conseguiu reativar bairros degradados no centro da capital paulista. Isso seria feito com um misto de comércio e moradias voltados aos profissionais que trabalham nesse setor. Na área da Praça Sinimbu, em Maceió, poderíamos ter moradias do Minha Casa Minha Vida, destinadas aos trabalhadores do comércio. Atualmente, um comerciário que mora no Benedito Bentes gasta mais de uma hora de ônibus, o que prejudica sua qualidade de vida.