Política
Policiais civis deixam de fazer BO e flagrantes
Os policiais civis de Alagoas decidiram, ontem, durante assembleia geral, manter a greve por tempo indeterminado. A categoria também deliberou pela ampliação do movimento, com a paralisação dos serviços de flagrantes pelos escrivães e agentes e de Boletins de Ocorrência (BO) desde ontem. Os boletins devem ser feitos pelos delegados plantonistas, já que a greve atinge agora 100% da categoria. Os policiais decidiram ainda acampar na porta do Palácio República dos Palmares, no Centro de Maceió, para pressionar o governo do Estado a negociar com a classe. E mais: dizendo-se traídos pelo governo, eles não aceitam mais o piso de R$ 3.600 que havia sido definido durante reunião no Tribunal de Justiça (TJ). Os policiais querem agora piso de R$ 5.500, valor inicial da reivindicação da classe. Também exigem o cumprimento de toda a pauta proposta, como o pagamento de retroativos relativos à progressão em carreira, adicional por risco de vida e revisão do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS). Eles afirmam que foram traídos pelo governo. Isso porque, durante reunião entre a comissão de policiais e representantes do governo, mediada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Washington Luiz, na tentativa de que governo e grevistas chegassem a um consenso, ficou acertado que o piso de R$ 3.600 seria implantado a partir deste mês, sendo dividido até novembro e, em dezembro, seria pago aos policiais o valor correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em torno de 11%. Na terça-feira, porém, a expectativa de selar o acordo foi frustrada. Os policiais voltaram a se reunir com integrantes do governo, sob o comando do secretário de Planejamento e Gestão, Christian Calheiros. No encontro, o que era tido como certo, voltou à estaca zero. Os policiais foram informados pelo secretário que o piso só seria implantado após negociação com as demais categorias de servidores estaduais, que estão em data-base, que não tem data nem hora para acontecer. Deixaram a reunião dizendo-se decepcionados e revoltados. Ontem, durante a assembleia, eles apresentaram levantamento indicando que o atual piso do policial civil em Alagoas, de R$ 3.062, só é maior do que o da Paraíba, entre os 27 estados da Federação. Ou seja, Alagoas é o penúltimo na lista dos estados que menos paga a seus policiais. A média do piso salarial, de acordo com a categoria, é de R$ 4.700.