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Nordeste pode ser o mais penalizado com cortes federais

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Ao assumir o cargo, o presidente interino da República, Michel Temer (PMDB/SP), garantiu ao País que não haveria cortes nos programas sociais, retomaria as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e manteria os investimentos em infraestrutura. Naquele momento, imaginava um deficit fiscal de R$ 120 bilhões. Dez dias depois da posse, ao constatar que o deficit nas contas públicas passa dos R$ 170 bilhões, já sinaliza com cortes que ameaçam inclusive agravar a economia e os dramas sociais da região Nordeste. Os governadores receberam a sinalização de Brasília de que haverá ajuste fiscal. A União mandou dizer que não tem saída e terá que cortar despesas, rever os investimentos em obras e dos programas sociais. Não tem dinheiro para investimentos. Com a renegociação das dívidas dos estados, os ministérios das áreas econômicas avaliam que vão perder mais de R$ 30 bilhões de receitas. Os cortes ameaçam o Nordeste. A região foi a que mais cresceu economicamente nos últimos 14 anos por conta dos investimentos do PAC (obras hídricas, de saneamento, construção de estradas e de melhorias urbanas) e dos programas sociais. Atraiu investimentos privados. O governo federal investiu forte para tentar reduzir a desigualdade social em relação às outras regiões, tanto que o Bolsa Família atende 14 milhões de nordestinos, 60% das quase 4 milhões de moradias das duas primeiras fases do Minha Casa Minha Vida estão nos nove estados da região, e dezenas de obras hídricas de combate à seca estão em andamento. Ultimamente em ritmo lento ou paradas. Para evitar o retrocesso brutal dos investimentos públicos, os governadores se reuniram em Maceió para unificar discurso e estratégias de pressão em bloco. Eles querem a retomada da fase três do Minha Casa Minha Vida, das obras do PAC ? só em Alagoas 800 obras estão paradas ? e a manutenção dos programas. A mobilização começou quando os novos ministros começaram a anunciar os cortes.

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