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Ju�zes temem novo golpe no Pa�s

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Os sucessivos capítulos da crise política nacional e os desdobramentos da Operação Lava Jato, que neste momento investiga a alta cúpula do PMDB, chama a atenção da sociedade civil organizada e deixa todo mundo apreensivo com os desdobramentos. Os juízes e promotores brasileiros manifestam apoio ao aprofundamento da Operação Lava Jato. Porém, ninguém consegue imaginar onde e quando vai parar a operação que investiga o maior escândalo de corrupção do País. A preocupação agora é de retrocesso na política democrática do País. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz João Ricardo dos Santos Costa, esteve em Maceió para o lançamento da campanha ?Somos todos juízes?, que tem por objetivo aproximar os magistrados da sociedade e mostrar as difíceis decisões dos profissionais no dia a dia. Ele não escondeu que, como a maioria das entidades e instituições brasileiras, os magistrados também estão preocupados com o agravamento da crise política. Ao analisar o atual momento do País, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o pedido de prisão do Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente em exercício do PMDB e ex-ministro, senador Romero Jucá; do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB); e do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB/AP), o presidente da AMB considerou que este é mais um capítulo da crise. Isto, segundo o líder dos quase 17 mil juízes, deixa toda a sociedade, os meios políticos de um modo geral, apreensivos. ?Este momento provoca grande desafio às instituições brasileiras?. Observou que este é um momento por que nenhuma sociedade organizada gostaria de passar. Mas ressalta que muitos países viveram historicamente momentos assim e o Brasil já viveu crises antes. As crises, de acordo com o presidente da AMB, servem para que se tirem lições a fim de que no futuro seja possível evitar situações que os brasileiros presenciam com as investigações do processo da Operação Lava Jato. Ao ser questionado se o País corre risco de retrocesso político democrático como ocorreu em 1964, quando se instalou o regime de ditadura militar por 30 anos, o juiz João Ricardo disse que sim. ?A gente tem que dizer que há risco, sim, como mecanismo de defesa para que não ocorra o retrocesso?. O juiz percebe que o Congresso Nacional hoje é formado por políticos mais conservadores do que os das legislaturas anteriores. ?O Congresso de hoje não faria uma Constituição Federal como conseguimos fazer em 1988, feita com aquela circunstância política de pós-ditadura e nós temos este risco político de retrocesso. E isto tem que ser conversado com a sociedade sobre as consequências sociais, políticas e econômicas que podem acontecer quando o País faz retrocesso no processo político?. Para se defender das ações do Ministério Público, do juiz Sérgio Moro ? que está à frente das investigações da Lava Jato ? e do Supremo Tribunal Federal, os políticos da maioria dos partidos tenta atribuir ao Poder Judiciário a crise na economia e na recessão. Falam de ?abusos? do Judiciário. O presidente da Associação dos Magistrados reagiu negativamente à manifestação dos políticos. ?Num momento como este sempre se procura responsabilizar outras entidades e outros segmentos pelos problemas do País. Todos [os políticos] costumam dizer que fizeram o seu papel. Acho que não é o momento disso também. O momento é de sentar todas as autoridades, as instituições e buscar caminhos para sair desta crise. Nós não estamos vendo, por parte daqueles que estão polarizando esta situação, condições de enxergar algum caminho viável para o Brasil superar a crise?.

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