Política
Crise n�o impede alian�a regional
Prestes a completar um mês longe do comando do País, a presidente Dilma Rousseff continua espalhando que o seu vice, no exercício do cargo como interino, Michel Temer, é um golpista. A fala faz eco em Alagoas, mas não atrapalha a relação dos petistas com o governador Renan Filho (PMDB). Ele convive naturalmente com as críticas de seus aliados locais, a Temer e outros peemedebistas, que foram protagonistas do afastamento por 180 dias de Dilma. A melhor prova de que o PT está prestigiado e com espaço no governo estadual aconteceu com o secretário do Trabalho e Emprego, Joaquim Brito. No início do governo, há um ano, ele ocupava a Secretaria Estadual de Assistência Social. Mas enquanto os capítulos da crise aumentavam, com a decisão do PDT do deputado federal Ronaldo Lessa ir para o lado de Rui Palmeira (PSDB), ele foi catapultado para o trabalho. Além de ganhar uma secretaria de maior visibilidade, conta com o prestígio do governador Renan Filho numa pasta que ajuda a criar a marca de seu governo em tempos de crise. Na semana passada, a reportagem da Gazeta conseguiu ouvir Renan sobre essa aparente contradição dele conseguir manter uma aliança com o partido que acusa Temer de traidor, ao passo em que vez por outra está em Brasília (DF) em busca de apoio para viabilizar sua gestão no Estado. Perguntado sobre isso, Renan Filho disse que a realidade nacional é uma, mas as questões do Estado se fundamentam em outras bases. ?O PT governava o País e eles foram afastados. Mas aqui em Alagoas eles permanecem no governo e fizeram parte de minha base de apoio e continuam ajudando a governar. Eu tenho dito que não há mudança no plano nacional que afete a aliança que temos aqui?, disse Renan Filho. A fala contextualizada, em meio ao cenário de crise política, vem sendo colocada em prática a cada dia. Tanto que Joaquim Brito, sempre que pode, tem participado de eventos com a presença do governador alagoano. Já a relação de Renan Filho com o PT extrapola o acordo principal com os caciques petistas ? leia-se o deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), e o próprio Joaquim Brito. Tanto que trouxe para o governo o suplente de deputado Judson Cabral, no Serviço de Engenharia do Estado de Alagoas (Serveal). Mesmo na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), antes de cooptar os petistas Marquinhos Madeira e Ronaldo Medeiros, o governo já os tinha na ?palma da mão?. Medeiros, inclusive, foi eleito líder do governo na Casa.