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Fernando Collor destaca legado de Jarbas Passarinho

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O senador Fernando Collor de Mello (PTC) fez um discurso emocionado, ontem, durante sessão solene do Congresso Nacional em homenagem à memória do ex-ministro da Justiça do seu governo, Jarbas Passarinho. O ex-presidente recordou que, durante a passagem de Passarinho pelo ministério, o Brasil pôde contar com um gestor com capacidade única, que se pautou em buscar soluções para os problemas crônicos que atingiam os brasileiros. A Passarinho, dentre outras, Collor atribuiu a missão de conduzir as negociações políticas visando à mudança do sistema de governo para o parlamentarismo, cujo plebiscito seria realizado em 1993. Em seu discurso, o senador declarou que deve não só agradecer publicamente ao ministro e senador Jarbas Passarinho pelo espírito público demonstrado em seu governo, mas também homenageá-lo ao recordar trecho da carta que lhe escreveu, por ocasião de sua despedida do ministério. Durante a sessão solene, Collor reafirmou o que fez questão de registrar em 30 de março de 1992: ?Tenha-me como seu admirador e testemunha de sua honradez e desprendimento?, reforçou. Para o senador, falar sobre Jarbas Passarinho é missão ao mesmo tempo complexa e instigante. Segundo ele, a grandeza de sua vida e o relevo do legado do ex-ministro desautorizam qualquer delimitação à mera biografia política ou à obra bibliográfica de um raro homem público. ?Seu universo eram as ideias; seu talento eram as palavras, os discursos, as reflexões. Mas seu mundo era também a ação, a administração e, mais do que isso, sua vocação era a política..., a grande política, tão escassa e necessária nos dias atuais?, frisou. Collor revelou que foi a reconhecida experiência administrativa e a convergência nos ideais políticos do social liberalismo que lhe fizeram convidar Jarbas Passarinho para participar do seu governo, em 1990. O senador destacou que os resultados obtidos pelo então ministro da Justiça mostram que ele cumpriu com ousadia a missão, demonstrando impecável espírito público. Em sua gestão à frente da Justiça, segundo Collor, foi personagem fundamental para o sucesso da demarcação da Reserva Yanomami, em 1992, entre outros resultados positivos. ?Passarinho revelou, com elevação, seus métodos, conceitos e aspirações. Ele tinha a correção de sua vida pessoal, a ilibada conduta pública e a excelência de seu trabalho como pilares. A disciplina adquirida pela formação militar, aliada a uma sólida e diversificada bagagem intelectual, modelaram em Passarinho uma personalidade que, nas diferentes áreas em que atuou, foi capaz de acarretar em seus interlocutores, a um só tempo, a deferência, o apreço e a simpatia; uma confluência rara de virtudes em uma mesma pessoa?, discursou o senador. Durante a presidência de Fernando Collor, o então ministro da Justiça também atuou na condução política do governo e chegou a testemunhar vários episódios, entre eles, o de um café da manhã, no Palácio da Alvorada, do qual participou o então deputado Ulysses Guimarães. À época, o parlamentar garantiu que o PMDB não engrossaria as fileiras daqueles que se movimentavam para pedir o impeachment. ?Em suas palavras, aquilo era uma aventura. Mais tarde, por pressão do então presidente do partido Orestes Quércia, o Dr. Ulysses, como se viu, mudou de ideia?, revelou. Para o ex-presidente, Passarinho foi um ministro atuante e, ao mesmo tempo, um conselheiro com o qual ele pôde contar. O senador declarou também que o ex-ministro soube refletir bem sobre os objetivos da gestão da qual fazia parte em seu discurso de despedida do ministério, quando proferiu palavras que Collor expôs, hoje, que jamais esquecera. Disse Jarbas Passarinho: ?Altamente compensador, senhor Presidente, foi ajudá-lo, na medida de nossos limitados méritos, na busca de colimar o seu objetivo verdadeiramente revolucionário, qual o de mudar a face do Brasil, eliminar os anacronismos, modernizar a economia, combater o patrimonialismo, vencer a resistência cartorial que asfixiava a Nação. (...) a pertinência de Vossa Excelência, forrada na doutrina do social liberalismo, vai levar o governo a obter a colheita da sementeira que tem sido plantada com tanta coragem e bravura pessoal?.

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