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‘Ele tamb�m sofreu inj�rias e injusti�as’

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O mesmo pensamento levou ao seu primeiro discurso no Senado Federal na tribuna, em 7 de abril de 1992, quando reassumiu o mandato de senador. Após historiar os principais resultados alcançados pela gestão de Collor à época, Passarinho assinalou: ?Agora, é chegado o momento da segunda grande revolução modernizadora do País. Fato raro, vemos um presidente que se filia publicamente a uma doutrina, o social liberalismo. Buscamos uma nova ordem, na qual, a partir da garantia das liberdades fundamentais, liberdades físicas e políticas, existem os direitos econômicos e sociais, sem os quais aquelas não passariam de abstrações. Ao mesmo tempo em que repudia o estatismo e a economia centralizada, combate igualmente o populismo, evidência maior da demagogia?, concluiu ele à época. Collor rememorou um discurso feito por Passarinho em 1988, no Senado Federal, cujo pronunciamento, intitulado ?Brasil: uma sociedade enferma?, entrou para a história. ?Fala-se em retrocesso político para esconder, ao abrigo de um eufemismo, a referência funesta a golpe de Estado?, alertou o então senador. Segundo Fernando Collor, a precisão, a inteligência e a perspicácia de seu raciocínio são de tal grandeza que, ainda hoje, o Brasil pode adotar este mesmo alerta, ?porém de forma inversa, para espelhar o quão mais grave ? e menos digno ? é o atual debate político no Brasil?. ?Hoje, fala-se em golpe de Estado para esconder, ao desabrigo de um disfemismo, a referência ao que na realidade é um avanço político. Não tenho dúvidas de que, se ainda fosse partícipe, ou mesmo o analista que era da cena política brasileira, Jarbas Passarinho ? que, como poucos, sabia mesclar sutileza e exatidão nas palavras ? questionaria: O que mais resta acontecer para que a cegueira de uns se renda à luz da verdade? Até quando uma resistente e rumorosa minoria permanecerá na caverna de Platão??, questionou. Ao final do pronunciamento, Collor ponderou que, como todo homem público de inegável protagonismo, Jarbas Passarinho também sofreu injúrias e, apesar de tudo, soube conviver com injustiças, sem se negar a combater as maliciosas versões para que elas não prevalecessem sobre os fatos. ?Como ele mesmo dizia, há quem prefira acreditar mais nas manchetes dos jornais do que na versão verdadeira. E completava: Isso para mim, hoje, não passa de lixo, e já foi para onde se destinam os monturos.? Ainda segundo Collor, com a sabedoria e a vivacidade dos fortes, e sempre a citar Sêneca, ele forneceu a todos a receita para os embates do dia a dia: ?Quem sabe suportar corajosamente os acidentes da vida comum não precisa engrandecer-se para ser soldado: viver é lutar?, rememorou o ex-presidente. HISTÓRICO Jarbas Gonçalves Passarinho nasceu em Xapuri (AC) no dia 11 de janeiro de 1920. Filho de Inácio de Loiola Passarinho e de Júlia Gonçalves Passarinho, cursou a Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre (RS) e se mudou para o Rio de Janeiro em 1940, ingressando, no ano seguinte, na Escola Militar de Realengo. Em agosto de 1962, alcançou o posto de tenente-coronel. Indicado pelo presidente Castelo Branco durante a ditadura militar, Jarbas Passarinho assumiu, em junho de 1964, o governo do Pará, aprovado pela assembleia do estado. Em novembro de 1966, elegeu-se senador pela Arena. No ano seguinte, foi convidado pelo novo presidente da República, Artur da Costa e Silva, para o Ministério do Trabalho e Previdência Social.

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