Política
Vamos construir uma agenda para Alagoas
ARNALDO FERREIRA A ministra da Assistência e da Promoção Social, Benedita da Silva, garantiu que a posição dos radicais do PT não vai provocar nenhum abalo no objetivo do presidente Lula, de reduzir os indicadores sociais negativos deste Estado que têm os piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Ela inclusive prometeu criar uma agenda para Alagoas. O ministério de Benedita, como os demais, enfrenta o contingenciamento dos recursos federais por causa do corte de R$ 14 bilhões no orçamento. O contingenciamento, segundo a ministra, é para conter a volta da explosão inflacionária e ajudar o ajuste fiscal em todos os ministérios. Garantiu que à medida que forem definidas as prioridades das demandas de cada Estado, o governo federal atenderá as necessidades. Para Alagoas, especificamente, prometeu ampliar os Programas: ?Fome Zero?, de combate à miséria e melhorar o atendimento às crianças e aos jovens. No campo político, negou que a sua visita ao município de Traipu - o quarto pior IDH do País -, na quinta-feira, faça parte de uma estratégia para manter forte a aliança entre o PT e o PSB, do governador Ronaldo Lessa. Disse que o presidente Lula não quer que ela envolva o seu ministério com política de aliança partidária. /// - Ministra, a senhora já tem informações sobre a real situação social de Alagoas? - Tenho sim. Tanto que fui ao município de Traipu, onde tem um dos mais baixos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. Mas, neste momento estamos fazendo o contrário dos governos passados, buscamos as demandas regionais para imprimir uma ação voltada para as prioridades dos municípios e dos Estados. Estamos trabalhando com o plano nacional de atendimento integral à família. O ministério da Assistência e da Promoção Social tem por objetivo trabalhar o núcleo familiar. - Como é a estratégia de buscar as demandas? - O nosso objetivo é integrar as ações de governos de Estados, municípios com as do governo federal para assim obter uma agenda de desenvolvimento social plena. - Mas, o presidente Lula cortou R$ 14 bilhões do orçamento. Até a sua pasta foi atingida e aí como executar programas de redução à miséria? - No nosso, o ministério tem recursos carimbados com programas já em andamentos. Esta foi uma preocupação do presidente de não fazer nenhum tipo de contingenciamento na área social. - Por que contingenciamento e não cortes? - Porque queremos apenas um ajuste fiscal, para manter e não aumentar o índice inflacionário e por isso o contingenciamento. À medida que nós vamos examinando e aprovando as demandas, as definições de prioridades farão a redução dos contingenciamentos. - Além de Alagoas quais os Estados que a miséria chama a atenção? - O primeiro deles que nos chamou a atenção foi o Piauí: já estivemos lá, construímos uma agenda de desenvolvimento para o Estado com os programas do Fome Zero, atividades para os jovens, pessoas de terceira idade e com os portadores de deficiência, além de geração de emprego e renda. Já visitamos os Estados de Goiás, Rio de Janeiro, Paraíba, vamos ao Recife e Bahia. - Em Alagoas a senhora ajudou a lançar o programa estadual do leite. Além disso, qual é a previsão de seu ministério? - Está previsto o Fome zero, iremos cadastrar as famílias dos municípios com os mais baixos IDH, vamos ampliar os programas de atendimentos às crianças, como o de combate ao trabalho infantil; temos trabalho com jovens e com a terceira idade. - A senhora é uma ministra política. A sua visita a este Estado tem o objetivo de estreitar as relações com o governador Ronaldo Lessa que é vice-presidente nacional do PSB e assim melhorar a demanda de atendimento do governo federal através dos programas? - Não. Porque o presidente Lula já tem delegado o seu representante para fazer essas discussões e afinamento com o Congresso Nacional. Isto passa também pela direção partidária, pela Casa Civil e pelo que sei estes entendimentos estão bem conduzidos. - Mas, então qual é a determinação do presidente? - Para que nós não perguntássemos aos governadores e nem aos prefeitos de que partidos são ou quem votou no PT na última eleição. O que o presidente quer é dar combate à fome, à miséria e que o País seja mais justo na relação desenvolvimento econômico e desenvolvimento social. - Como vai o Partido dos Trabalhadores? - Muito bem, obrigada. O partido que chega ao Poder está governando o País, tem um grande papel de liderar não só as políticas públicas de mudanças, mas também as reformas que o Brasil precisa. O PT hoje tem a liderança para manter a unidade de diferentes segmentos. - Por falar em unidade, como a senhora trabalha este projeto dentro do seu próprio partido, onde existe o insatisfeito com o programa do presidente Lula, como é o caso da senadora alagoana Heloísa Helena? - Heloísa é uma brilhante senadora e que tem dentro dos seus princípios ideológicos divergências com o que a maioria do PT tem decidido. Mas, como no nosso partido o que prevalece é a decisão da maioria, até porque temos discussões democráticas, que se dão no interior do partido e não escondemos as divergências. Mas, a direção programática está dada: Lula é presidente do Brasil e o PT tem a sua proposta revolucionária na busca do socialismo e nós temos um programa de governo assumido com diferentes matizes ideológicas que nos levaram à presidência da República. O presidente também vai cumprir o seu papel de obedecer ao programa que o levou ao poder. O nosso partido tem de respaldar e compreender que Lula recebeu apoio plural e para governar o Brasil não se faz nada sozinho. - Alagoas lembra o que à senhora? - As lutas históricas de combate à discriminação, a história de nosso herói Zumbi dos Palmares. Neste momento, na condição de ministra da Assistência e Promoção Social, quero garantir que estamos preparando a agenda de ações que vão permear uma interface com os outros ministérios responsáveis também para buscar a justiça social.