Política
TCU aponta sobrepre�o no Canal do Sert�o
Promessa feita em campanha durante décadas, o Canal do Sertão era tido como a redenção para o povo da região que por séculos sofre com os efeitos da seca. A obra virou uma realidade, mas sua eficácia e os recursos nela empregados são questionados. Da esperança de solucionar o drama do sertanejo, o Canal se transformou em mais uma obra marcada por denúncias do que pode ser malversação de recursos públicos, provenientes do governo federal. O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que foram encontrados indícios de sobrepreço naquela que é considerada uma das maiores obras hídricas do Nordeste. Segundo levantamento do TCU, o valor cobrado indevidamente passa de R$ 119 milhões. Matéria do repórter Amorim Neto, da Rede Globo, veiculada no Jornal da Globo da última segunda-feira, e que ontem ganhou o noticiário nacional, informa que o ?TCU investigou e descobriu que as construtoras OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão ? responsáveis pela obra ?, cobraram do governo valores muito acima do mercado do Nordeste?. Segundo a reportagem, o sobrepreço milionário foi cobrado ?para a construção do trecho 3, já inaugurado, do trecho 4, ainda em construção, e até do trecho 5, onde a obra nem começou?. A execução dos 3 trechos é de responsabilidade da atual gestão estadual, ou seja, coube ao governador Renan Filho (PMDB) tocar a obra iniciada no governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB), no dia 28 de janeiro de 2013. De acordo com o TCU, na reportagem veiculada pela Globo, ?o governo pagou pelo metro quadrado de concreto 127% mais. A escavação, carga e descarga de material foram superfaturados entre 102% a 152%; a mão de obra, 22% a 31%; os tubos de aço, de 20% a 36%; e a brita, incluindo o transporte, 31% a 113%?. Somando tudo o que foi comprado ou contratado com sobrepreço, foram gastos mais de R$ 119 milhões no projeto. Os recursos destinados ao trecho 5, que está sendo licitado e contratado, foram bloqueados pelo TCU, que exige agora a devolução dos valores superfaturados.