Política
EMPREGO � TEMA ENTRE CANDIDATOS
Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado no início do mês revela que, em razão da crise econômica, o Brasil deve ter, em 2016, o pior desempenho na criação de empregos na comparação com outros 43 países, situação que traz reflexos para estados e municípios, principalmente aqueles considerados economicamente pobres, como é o caso de Alagoas e, por tabela, Maceió, onde os índices de desemprego também são impactantes. Pré-candidatos a prefeito da capital alagoana falam à Gazeta esta semana sobre como pretendem enfrentar o problema e garantir a geração de emprego e renda para o maceioense. ? PAULO MEMÓRIA (PTC) A questão do emprego está diretamente relacionada à tese que defendo na minha pré-candidatura à prefeitura de Maceió, que denomino de Cidade Partida. Enquanto não tivermos políticas públicas de integração social, econômica e urbanística da cidade, o problema do desemprego não será equacionado. Maceió está no ranking de cidades com maiores desigualdades socioeconômicas entre as capitais brasileiras. Uma política de trabalho eficiente implica no desenvolvimento econômico do município e faremos todos os esforços, em parceria com o governo do Estado e com o governo federal, para avançarmos no campo dos investimentos públicos e do incentivo à iniciativa privada. Sou simpático à teoria da Auto-Ocupação ou Auto-Emprego, com políticas de incentivos a empresas familiares ou micro e pequenas empresas, que já são responsáveis por 70% dos empregos em nível nacional. No governo da Aliança G-8, a prefeitura explorará as vocações das diversas regiões, incentivando através de um Banco Municipal de investimento de emprego e renda, com as garantias bancárias de mercado, para empreendimentos de baixa renda. O economista indiano Muhammad Yunus ganhou o Prêmio Nobel de Economia com a fundação de um banco privado de microcrédito e negócios sociais, com pequenos empréstimos para que as pessoas mais pobres pudessem abrir as suas microempresas, de acordo com os seus talentos pessoais. Enquanto formos detentores desses altos índices de violência, afinal Maceió foi por anos a cidade mais violenta do Brasil e a quinta mais violenta do mundo, não conseguiremos atrair investimentos privados para a nossa cidade. Hoje este item tem peso fundamental na hora de uma empresa se instalar em um país, estado ou cidade, como garantia dos seus negócios e segurança de seus executivos. Enquanto a cidade continuar dividida, com sucessivos prefeitos governando para 12% da cidade, relegando a imensa periferia ao total abandono e descaso, dificilmente conseguiremos atrair grandes empresas nacionais e mundiais a se instalarem em Maceió. Pretendo fortalecer o distrito industrial, com foco em pequenas indústrias, com políticas de compensação e até isenção fiscal para esses pequenos empreendimentos se estimularem a montar suas fábricas em Maceió. RUI PALMEIRA (PSDB) Desde 2013, Maceió tem sido escolhida para a instalação de grandes empresas, entre elas, a Almaviva, empresa de Telemarketing do Grupo Almaviva ? The Italian Innovation Company, que oferece serviços para administrações públicas, entidades previdenciárias, indústria, telecomunicações e outras organizações. A empresa se instalou em Maceió por meio da criação do Programa de Incentivo Fiscal para Empresas de Call Center e Telemarketing, uma iniciativa da Prefeitura que foi implantada por meio da Lei 61/2013. Até aquele momento, a capital alagoana era a única no Nordeste que não tinha este tipo de incentivo para a captação de novos empreendimentos. O empreendimento começou com uma unidade, gerando três mil postos de trabalho. Em menos de um ano o grupo inaugurou um novo ponto no Benedito Bentes, tornando Maceió a localidade com mais vagas de empregos geradas pela Almaviva ? oito mil postos. A inauguração da empresa beneficiou principalmente os jovens maceioenses da parte alta da cidade que tiveram a primeira oportunidade no mercado de trabalho. Além de telecomunicações, empresas de outros segmentos, como o de comércio e hotelaria, instalaram unidades em Maceió, contribuindo para a expansão dos postos de trabalho. No comércio, a construção de grandes empreendimentos, como o Parque Shopping Maceió, no Litoral Norte, em 2013, gerou 2.500 empregos temporários e mais 3.600 fixos após a conclusão. Além do impacto direto na economia, o empreendimento atraiu investimentos para a região. Mais recentemente, foi inaugurada em Maceió a loja de material de construção Leroy Merlin. A empresa gerou 280 postos de trabalhos diretos e a contratação dos funcionários contou com o apoio do Sine da Prefeitura, como parte da articulação do Município para instalação da empresa na capital. Por meio do Sine Municipal, foram realizados 171.180 atendimentos de janeiro de 2013 até julho deste ano, viabilizando 22.484 oportunidades de emprego. Também foram registrados 47.061 trabalhadores, 26.337 atendimentos de seguro-desemprego e 10.219 mil pessoas foram empregadas no mercado de trabalho. Esses dados demonstram que o Município tem caminhado na contramão da crise econômica. JHC (PSB) Considerando que a criação majoritária de postos de trabalho, numa economia de mercado, é algo pertinente às decisões empresariais (privadas) de investir, podemos dizer que o poder público municipal tem capacidade limitada, no que tange à geração de emprego. Isso, todavia, não exclui a possibilidade do referido poder deflagrar ações que possam contribuir para amenizar o grave problema do desemprego e mesmo induzir os agentes econômicos privados a criarem postos de trabalho. A última PNAD contínua do IBGE, divulgada em maio deste ano, aponta para uma ?taxa de desocupação? de 13,7% em Maceió, enquanto a média nacional é de 10,9%. Esses números preocupam, porém mais preocupante ainda é a ?taxa de ocupação?, isto é: as pessoas que possuem vínculo formal de emprego ou fonte de renda. Em Maceió, esse percentual chega a 51%. Isso quer dizer que, na capital alagoana, de cada dez pessoas em idade economicamente ativa, apenas cinco possuem vínculo formal de emprego, o que reflete diretamente na criminalidade e alienação social de boa parte dos maceioenses. O Estado, como se sabe, não gera riquezas, e nem é esse seu papel. Sua função é garantir que aqueles que dispõem dos meios necessários expandam sua área de atuação, o que necessariamente atingirá de forma benéfica os demais cidadãos, que, com dinheiro, movimentarão mais a economia, gerando um ciclo virtuoso. A prefeitura pode auxiliar esse processo de diversas formas, principalmente estabelecendo uma relação altiva e institucional com a iniciativa privada, desburocratizando repartições e virtualizando procedimentos que possam dinamizar a atuação do empresariado, especialmente dos pequenos empreendedores, que não dispõem de uma grande estrutura de assessoria mas geram muitos empregos. Pontos de atendimento espalhados pela cidade de secretarias que lidam com a iniciativa privada, a exemplo da Secretaria de Finanças, tornam a vida do empresário mais fácil. Recentemente, criou indignação nas redes sociais um vídeo de uma senhora, vendedora ambulante, que teve sua mercadoria apreendida pela SMCCU. Ora, aquela senhora, como tantos outros maceioenses, não está na rua por vontade própria. GUSTAVO PESSOA (PSOL) O Brasil enfrenta uma situação delicada, e Maceió não é diferente. Na nossa cidade, só no primeiro semestre, quase 4 mil trabalhadores já perderam seus postos de trabalho. Em torno de 30% das famílias maceioenses estão inadimplentes, seja no comércio, tarifas, ou nos serviços de água e luz. O que vemos é a completa letargia do poder público, que só assiste. Recentemente acompanhamos com perplexidade a perseguição, a mando da Prefeitura, contra ambulantes que tentam ganhar a sua vida honestamente. Ou seja, alguns alagoanos estão sendo punidos duas vezes: a primeira, quando perdem o emprego e precisam buscar alternativas; e a segunda, quando são proibidos de trabalhar. Não tenho medo do empreendedorismo, principalmente daquele que surge da iniciativa do pequeno e médio empreendedor. Vivemos numa cidade cujo coração da economia pulsa no ritmo do comércio e dos serviços. Atualmente, milhares de micro e pequenos empreendedores lutam para gerar emprego e renda em meio à caótica situação urbana das nossas periferias. Além do investimento em capacitação, especialmente dos jovens, a geração de empregos em Maceió pressupõe uma tributação mais generosa para quem empreende em situações adversas, e o esforço no sentido de criar as condições para que a massa de trabalhadores, que hoje se encontra na informalidade, possa desempenhar dignamente suas funções. Estruturar as feiras que funcionam nos nossos bairros, por exemplo, seria simples. E um bom começo. Ao longo dos últimos anos me acostumei a me despedir de amigos, artistas, publicitários, médicos, jornalistas, que deixaram a cidade para construir a vida profissional em outros centros, pois os baixos investimentos acabam por condenar a nossa economia a um estado de permanente animação suspensa. Precisamos construir um ambiente favorável aos negócios, favorecendo os médios e pequenos investidores, responsáveis pela geração de empregos diretos. Vamos atrair investidores, mas pensaremos também em valorizar os empreendedores da nossa terra. Devemos capacitar nossa mão de obra, diminuir a distância casa-trabalho e investir em mobilidade urbana, com ciclovias e transporte público de qualidade. O projeto que apresento será colocado em prática com apoio da participação popular. PAULÃO (PT) Isoladamente, a Prefeitura não tem como enfrentar o desafio da geração de emprego e renda. Nossa ideia é realizar convênios e parcerias inteligentes, envolvendo governo do Estado (Secretaria do Trabalho), governo federal e entidades como o Sebrae e o Banco do Nordeste. A economia de Maceió é baseada na rede de serviços e no comércio; uma das propostas é fomentar as feiras livres e o comércio nos bairros e, ao mesmo tempo, criar políticas de apoio à economia solidária, às associações e cooperativas locais. Pretendemos, também, estimular a construção civil, que gera muitos empregos formais e informais. Além desse setor, são polos de geração de renda as atividades ligadas ao turismo e à gastronomia. O segmento já é bastante expressivo e pode crescer ainda mais, mediante investimentos em infraestrutura. O fato é que se desenvolvermos a cidade, o saneamento básico, a urbanização, a educação e a saúde, isso tudo abrirá caminho a novos empreendimentos em diversas áreas. Outra proposta é ampliar o Distrito Industrial do Tabuleiro do Martins, onde as empresas receberam incentivos para se instalar. Evidentemente, isso depende também de apoio do governo do Estado. A qualificação de mão de obra, sobretudo da nossa juventude, é outro ponto crucial para o ingresso no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre os jovens chegou a 24,1% no primeiro trimestre de 2016 em todo o País. A questão é preocupante e se repete em Maceió. Para fazer frente ao verdadeiro drama que é conseguir o primeiro emprego, é vital fortalecer o ensino profissionalizante. Por outro lado, também precisamos fortalecer o programa Microempreendedor Individual (MEI), que é uma alternativa para quem já perdeu o emprego. A longo prazo, devemos investir nos polos de educação e a saúde. Isso se faz com apoio a escolas de formação. Na área da educação já contamos com grande número de escolas técnicas. Já na questão da saúde é fundamental ampliar a participação da rede hospitalar, criando um polo médico (mão de obra para hospitais, clínicas e laboratórios). Trata-se de uma atividade também importante para a economia, principalmente pela oferta de serviços médico-hospitalares especializados. Outras propostas que estudamos vão no sentido da promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho, combatendo a discriminação contra as mulheres, que em pleno século 21 ainda recebem salários mais baixos que os homens. Neste caso, o papel da Prefeitura será exigir o cumprimento da legislação trabalhista, juntamente com o Ministério do Trabalho e Delegacia do Trabalho, sempre visando a legalização da mão de obra. De forma geral, devemos ajudar a combater a precarização do trabalho, as disparidades salariais de gênero e até mesmo o racismo que em alguns casos é fator de desigualdade entre os trabalhadores.