Política
Lula desafia sindicalistas e coloca PL-9 em vota��o
Brasília ? Depois de mais de duas horas de reunião com a cúpula da CUT (Central Única dos Trabalhadores), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da decidiu desafiar seus velhos companheiros, informando-lhes que o PL-9 ? projeto de lei que modifica as regras da Previdência ? será colocado em votação logo depois do Carnaval. O primeiro-tesoureiro da CUT e presidente do PSTU, José Maria de Almeida, diz que está marcada uma plenária para o dia 23 de março contra a aprovação do projeto. ?Se o PL-9 entrar em votação e for aprovado, o funcionalismo público vai entrar em greve. E não adianta o governo reclamar, pois foi avisado hoje (ontem) sobre a paralisação?, alertou o sindicalista. A CUT já havia se posicionado contra à aprovação do PL-9, que limita um valor máximo para a aposentadoria dos novos servidores ?equivalente ao do INSS, fixado hoje em R$ 1.561,56 ? e cria regimes de previdência complementar patrocinados pela União, Estados e municípios para os funcionários públicos que quiserem um benefício maior. O presidente da CUT disse ao presidente Lula que o funcionalismo ?não vai ficar parado? se o PL 9 - projeto de lei que estabelece um sistema de Previdência único - não for discutido com a sociedade. O Ministério da Previdência e a CUT formarão uma comissão para discutir determinados pontos do PL 9. Dentre eles estão o teto de R$ 1.561,00 defendido pelo governo para o funcionalismo. Logo depois do encontro com a CUT ? central historicamente alinhada ao presidente ?, Lula mandou um recado para os sindicalistas na abertura da primeira reunião do Consea (Conselho de Segurança Alimentar). ?O movimento sindical deve deixar de ser corporativista e atuar de forma mais presidente na sociedade?, disse o presidente. Para José Maria, Lula repetiu os mesmos argumentos de sempre para implantar medidas polêmicas, como a reforma da Previdência, corte de gastos públicos, elevação dos juros e da meta de superávit primário. Risco-Brasil ?Lula recorreu ao cenário político internacional e à situação deixada pelo governo anterior para justificar a tomada de medidas como essa, que sempre foram condenadas pela CUT, PT e partidos de esquerda. Ele [presidente] disse que era preciso pensar no risco-Brasil, ajuste fiscal e estabilidade monetária, ou seja, repetiu o mesmo discurso que assumiu desde a posse?, disse Zé Maria. Segundo ele, o presidente também usou a estratégia dos jargões futebolísticos para explicar aos sindicalistas que a condução da política monetária iria mudar. ?O bom técnico não é aquele que começa ganhando o jogo, mas sim aquele que termina vencendo?, teria dito o presidente aos representantes da CUT. ?Disse para ele [Lula] tomar cuidado para não deixar o placar chegar no 3x0, pois aí seria difícil reverter o jogo?, afirmou Zé Maria.