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EXCESSO DE CONTRAPARTIDAS NA SA�DE ASSUSTA PREFEITOS

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A crise política nacional mexeu com os ânimos de prefeitos alagoanos. De 71 aptos à reeleição, 25 desistiram da candidatura este ano, conforme a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). A frustração de não ter realizado o que gostaria e o desgaste político que enfrentam são as causas reveladas pelos gestores entrevistados pela Gazeta. A área da saúde foi a que mais deixou a desejar, segundo eles. A sobrecarga de contrapartidas municipais derivada de programas federais inviabilizou projetos e foi decisiva para que os gestores se afastassem das urnas. De acordo com a AMA, desde que a reeleição foi instituída no Brasil, esta é a primeira vez que um quantitativo tão alto de prefeitos decide ficar de fora da campanha. O rigor dos órgãos de fiscalização, a falta de flexibilidade para gerenciar verbas públicas, o risco de ter bens indisponíveis por falhas administrativas e a interferência do Poder Judiciário no mandato foram fatores elencados pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski. Já o grande volume de serviços transferidos pelo governo federal para os municípios, sem o aumento no repasse de verbas, é outro motivo apontado pelo presidente da AMA, Marcelo Beltrão. Prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB) termina o terceiro mandato em dezembro e disse que a partir de janeiro vai cuidar dos netos e ?viver um pouco mais?. Prestes a completar 60 anos, afirma que a ?ingovernabilidade? foi o fator decisivo para sua desistência. ?Não tenho mais aquele estímulo para perder tantas noites de sono. Vou terminar o mandato com as contas em dia, mas a minha frustração foi não ter feito mais pela saúde em meu município?. O prefeito se queixa da angústia diante da demora no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ?Muitas pessoas com câncer e a marcação de exames leva uns oito meses. Cirurgia é um ano?, conta. Jorge Dantas explica que, além da crise política, assumiu o mandato em Pão de Açúcar num período de longa seca. ?Desde 2012, enfrentamos a seca, o que dificultou ainda mais a administração. Termino o mandato com a missão cumprida, consegui manter os serviços básicos, mas por causa das dificuldades financeiras, acaba havendo um desgaste político?, considera, dizendo que o povo brasileiro cansou dos políticos. ?No Brasil, os políticos estão virando malditos. Com a crise que vivemos, qualquer político é visto como ladrão?, diz, ao frisar: ?Os projetos que eu planejei para Pão de Açúcar não é que eu não quis fazer, eu não consegui fazer, é diferente?.

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