Política
VOU ADMINISTRAR MACEI� COM UMA VIS�O HOL�STICA
Deputado federal, João Henrique Caldas ? JHC (PSB) está entre os sete candidatos à Prefeitura de Maceió. O parlamentar estreia a série de entrevistas da Gazeta com os candidatos ao Executivo municipal. As reportagens serão publicadas até o dia 25 de setembro, quando o último candidato definido por ordem de sorteio com a participação das assessorias estará expondo como pretende administrar a capital de Alagoas se eleito for. A reportagem contou com a participação de Thiago Tarelli, estudante de Jornalismo, com atuação como estagiário da Gazeta, que foi às ruas da cidade onde gravou perguntas feitas pela população e respondidas pelo candidato, num formato inovador. A Gazeta também abriu espaço para que as assessorias façam uma pergunta ao próprio candidato. Acompanhe. Gazeta. O senhor foi eleito para a Câmara Federal e está entre os deputados mais jovens do País. Agora se lança ao desafio de concorrer à Prefeitura de Maceió. O que o levou a tomar essa decisão de deixar um mandato de deputado federal, considerado um cargo ?confortável? em relação ao comando do Executivo municipal? JHC. Acho que são coisas distintas, porém que têm o mesmo objetivo. O fato de estar lá em Brasília, tendo uma atuação de destaque, ter sido considerado por institutos com credibilidade, como o Congresso em Foco e a Universidade de Harvard, como um dos melhores e mais atuantes parlamentares do País é um indicativo de que nós estamos no caminho certo, que os conceitos que levamos para a política são bons para a população. Mas essa pergunta, por que sair da zona de conforto, em Brasília, podendo repetir o mandato ou então pensar em outros projetos e enfrentar uma eleição duríssima contra duas máquinas, a prefeitura municipal de Maceió e o governo do Estado? Justamente por não concordar com essa omissão e nem com a negligência que está sendo posta aqui em Maceió. Não adianta eu tentar resolver os problemas do País todo, fazer discussões internacionais, como a questão da internet livre, discutir questões de governança no mundo todo, e quando chego em Maceió, a minha cidade, a cidade onde eu nasci continua a mesma. Isso me incomoda muito. Então, preciso fazer mais. Algo que só o Executivo pode mudar. O senhor se sente preparado para essa missão? Absolutamente. Fui deputado estadual, acho que passei por um dos momentos mais difíceis da história recente do Estado de Alagoas. Nós conseguimos, com muito zelo, muita dedicação, apostar nas instituições sérias do nosso País. Dialogamos com o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça de Alagoas. Todas essas instituições estiveram conosco. O comportamento que nós tivemos ao longo desse tempo demonstra nossa capacidade de dialogar e também de fazer as coisas da maneira correta. Enquanto deputado federal trouxemos discussões nacionais, sempre defendo os setores, por exemplo, o setor sucroenergético aqui em Alagoas, a construção civil. Sempre dialogando, colocando o meu mandato a serviço da população. Todos esses interlocutores, e isso é uma construção, me chancelaram, de certa maneira em demonstrar aos cidadãos, as pessoas que me abordam, de dizer: a gente está precisando de você, alguém com o seu perfil para poder fazer algo novo para Maceió. Como candidato, o senhor conhece a realidade administrativa da prefeitura de Maceió? Sabe que cenário vai encontrar? A gente tem a dificuldade de transparência de dados. Inclusive agora eu só consegui informações da SMTT, por exemplo, depois de decisão judicial, o que era para ser público, transparente. As pessoas têm a errônea ideia de que por estar no Portal da Transparência todo mundo vai ter acesso. Não. O senhor fala com relação a recursos. Mas administrativamente o senhor conhece a prefeitura que vai comandar se eleito for? Administrativamente eu sei que hoje a nossa saúde é um caos, a mesma cobertura praticamente do PSF da administração passada, está em 30%. Nossa educação da mesma maneira. Hoje temos 106 escolas. 94,7% dos alunos estão com calendário escolar defasado. As 18 creches que temos, estão com problemas. Temos um deficit altíssimo de criança em creche, de zero a três anos, e após os cinco anos de idade. São dados inacreditáveis do ponto de vista administrativo, quando se observa que há uma omissão da prefeitura em torno dos setores. Quem é da classe média talvez não entenda isso. Na Ponta Verde, por exemplo, só tem uma escola pública. As pessoas que estão em determinada parte da cidade querem segurança para o Estado, mas elas conseguem de certa maneira pagar uma segurança privada, mal ou bem têm um plano de saúde, seus filhos numa escola. Mas aí a gente vai para a periferia, vamos olhar sob a ótica de quem mais necessita realmente da prefeitura, então se você pegar a atenção básica, o tratamento profilático preventivo, hoje em dia praticamente também não existe. Vamos usar um método que dá muito certo em Alagoas, que é no Conesul. Enquanto uma aspirina lá é comprada por um centavo, aqui é comprada por quatro. Vamos trabalhar também um consórcio entre hospitais, que deu certo na iniciativa privada. No período de campanha promete-se muito. Quando o candidato é eleito e assume, apresenta à população como justificativa para não cumprir as promessas o fato de que encontrou a prefeitura mergulhada em dívidas. É, mas isso aí são golpes de marketing. Você pode ver o que eu estou falando aqui, nada disso gera custos. Pelo contrário. Isso vai poupar recursos. Estou falando em consórcio que vai baratear o custo. Porque você vai comprar um remédio com 300% a mais, sem logística nenhuma e muitas vezes quando chega, vê uma matéria nacional que o remédio foi para o lixo. Justamente o remédio que aquele cidadão precisava para o tratamento controlado. Está se fazendo política com a saúde. Estão brincando com a vida das pessoas. Estado e município têm que andar juntos. Temos um problema muito grande porque a saúde não é priorizada. Há um certo receio dos gestores em enfrentar a saúde, porque acham muito cara, dispendiosa, mas na verdade na hora de priorizar os recursos não fazem. Se você levar em consideração que estavam sendo pagos um milhão de reais para contratos de ônibus escolares, isso daria para dar uma contrapartida de três UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], coisa que a prefeitura se negou a fazer durante anos e agora no período eleitoral tenta, de forma precária, dar um ar de que aquilo está funcionando.