Política
TEMPO CURTO NO GUIA FRUSTRA COLIGA��ES
?Meu nome é Enéas?. O jargão do político carioca, falecido em 2007, ficou eternizado na história das eleições brasileiras. Três vezes candidato à presidência da República, nos anos 1989, 1994 e 1998, ele tinha apenas 20 segundos no guia eleitoral. No caso dele, o curto tempo produzia riso e uma espécie de compaixão diante da discrepância de espaço na TV e no rádio entre ele e seus adversários. Em 2002, virou de vez fenômeno. Bateu recorde no País e foi eleito o deputado federal mais bem votado de todos os pleitos, com 1,57 milhão de votos. Mesmo sem muito poder dizer em rede nacional, Enéas Carneiro tornou-se inesquecível. Este ano, sua performance relâmpago na propaganda eleitoral volta com mais força ao imaginário do brasileiro, por conta das mudanças promovidas pela ?minirreforma política?, aprovada em 2015. As regras para as eleições foram alteradas e uma das mudanças mais radicais limitou a presença dos candidatos na casa dos eleitores, através do rádio e da TV. No último pleito, os candidatos dividiam 30 minutos. No guia que começa na sexta-feira, dia 26, o recado terá que ser dado com brevidade. A partilha será de apenas dez minutos e a desenvoltura de Enéas, na impiedosa corrida do ponteiro, agora é o que todo candidato quer. Paulo Memória, candidato a prefeito de Maceió pelo PTC, terá só 12 segundos. ?Está pior do que o Enéas e o Faustão, onde a pessoa se vira nos trinta?, brinca, em tom de crítica, dizendo que a redução no tempo da propaganda foi antidemocrática. ?Ainda não sei o que vou fazer neste tempo. Vou sentar com a minha equipe para decidir. Não dá para discutir nenhum tema tão rápido. Como vou falar de saúde, segurança, educação??, questionou, adiantando que a tendência é usar os segundos para protestar. ?Penso em usar o guia para mostrar as pessoas como estamos sendo cerceados do debate. Não dá para falar nada em 12 segundos?.