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Política

‘MACEI� MERECE INTEGRA��O POL�TICA, SOCIAL E URBANA’

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Candidato pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), o jornalista Paulo Memória é o segundo entrevistado na série de reportagens iniciada pela Gazeta no último dia 20 com os postulantes ao comando do Executivo Municipal. Ele fala de suas propostas para a prefeitura de Maceió, faz críticas à atual gestão e a adversários no campo político e destaca que sua administração, se eleito for, será focada no tripé segurança, saúde e educação. Memória integra o grupo conhecido como G-8 que, em suas diretrizes defende uma ?nova política?. A reportagem contou com o apoio do estudante de Jornalismo Thiago Tarelli, que voltou às ruas da capital e traz as perguntas do eleitor para o candidato. Acompanhe. Gazeta. O senhor conhece a prefeitura que vai encontrar, se eleito for, a estrutura administrativa, número de funcionários? Paulo Memória. Pelo histórico que a gente viu, sobretudo do ano passado para cá, quando a prefeitura teve dificuldade até mesmo de pagar os seus fornecedores e também com ameaça de atraso de pagamento do funcionalismo e tudo mais, a gente imagina que a situação financeira não deva ser das melhores. Não é só o caso de Maceió. É geral. A primeira medida que tomarei assim que assumir a prefeitura será convocar uma auditoria independente para que faça uma avaliação das contas, a quantas andam as finanças do município para que possamos colocar em prática o que nós estamos propondo como programa de governo. O senhor fala em fazer auditoria no município. Teme que haja problemas com as finanças do município? É possível que sim. Que nós nos deparemos no exercício do governo com essas dificuldades, que são inerentes a todas as prefeituras do Brasil. A gente sabe que não vai encontrar uma situação orçamentária exatamente favorável às propostas que a gente tem. Mas, certamente, o que a gente tem que pensar em chegando à prefeitura é como vamos ordenar as prioridades desses investimentos. Então, mesmo que os recursos sejam aquém do que a gente imagina, porque não tem como saber sem antes fazer uma auditoria da real situação de receitas da prefeitura, a gente tem que pensar naquilo que estiver disponível em termos de receitas propriamente ditas, receitas vinculantes, não só no que diz respeito ao custeio, mas sobretudo na questão de investimento, certamente enxugar onde está se gastando muito. No meu entendimento é nas obras públicas. Reduzir esse volume de obras e direcionar os recursos para outras áreas prioritárias, como por exemplo a saúde preventiva e a educação de qualidade. Essas obras que se vê pela cidade, o senhor acha que são desnecessárias? Acredito que muitas delas não são prioridades. Acho que no Brasil se criou essa lógica de infraestrutura, que é necessária, mas muitas vezes a gente percebe que existe muito mais para se fazer algum tipo de acordo com as empreiteiras, sobretudo. Temos visto sistematicamente no Brasil o envolvimento do privado com o público e o que gerou todas essas ações do Ministério Público, da Polícia Federal, geralmente sempre envolve uma grande empreiteira e obras. Então a gente tem que avaliar quais são as obras fundamentais, porém, priorizando os investimentos sociais que a gente entende que o grande problema de Maceió, cidade que detém os piores índices socioeconômicos entre as capitais do Brasil. Servidores públicos reclamam da falta de diálogo principalmente em relação a salários. Vivem em constante embate com a administração municipal. Como o senhor pretende administrar essa questão? A gente pretende também neste campo fazer um estudo para ver a viabilidade de melhorar as condições salariais dos servidores. Neste sentido, eu pretendo criar os Conselhos de Gestão Participativa e Popular, para que as tomadas de decisões não fiquem restritas ao prefeito, ao gestor, mas sim para que essa decisão seja tomada em conjunto com a sociedade. Diferente do chamado orçamento participativo, que foi um avanço, mas se atém apenas à questão do planejamento. Quando falamos nos Conselhos de Gestão Participativa, estamos falando numa participação efetiva de vários segmentos da sociedade maceioense nos quais estarão também representados os servidores públicos, nas tomadas dessas decisões. Acho que quando você tem uma gestão transparente, onde todos têm conhecimento da real situação financeira, administrativa, da capacidade de gestão da prefeitura, há uma compreensão da própria categoria. O senhor falou sobre transparência. O senhor considera que falta transparência na administração? Não estou aqui fazendo nenhum tipo de ilação, mas, por exemplo, existe uma denúncia de que haveria pretensamente 6 milhões de reais na área de saúde que ninguém sabe, ninguém viu. Onde está o dinheiro? Então acho que a gente tem que criar mecanismos cada vez mais eficazes no que fiz respeito à velocidade da informação dos investimentos que a prefeitura faz. Os mecanismos de transparência têm que ser aperfeiçoados para que não paire nenhum tipo de dúvida sobre o destino dos recursos que são aplicados nos investimentos na nossa cidade. Se o senhor fosse eleito hoje prefeito de Maceió, o que o diria que falta à prefeitura para ser eficiente? Falta muita coisa, porque a gente percebe que a saúde pública em Maceió hoje, segundo pesquisa recente, foi considerada pela população maceioense uma das piores do Brasil. O PAM Salgadinho foi fechado por uma intervenção ética do Conselho Regional de Medicina. Não tinha condições de, primeiro dar garantia aos profissionais que lá trabalham, nem capacidade de atendimento daqueles que delem necessitavam. Então, é um sinal de que tem muita coisa por fazer. A saúde é uma área que eu vejo que precisa de intervenção imediata. Saúde e segurança são duas áreas que nós vamos focar, envidar nossos maiores esforços no sentido de melhorá-las. Quando digo que vamos reduzir o volume de obras, não é que a cidade não necessite dessas obras. Mas nós temos que pensar que não é só isso. Uma gestão implica em outras áreas: transporte coletivo, mobilidade, saneamento. Uma pergunta que os eleitores e a população fazem quando o seu nome é citado: o senhor veio do Rio de Janeiro, onde se candidatou a deputado federal e teve pouco mais de dois mil votos. O que o trouxe para Maceió para se candidatar ao desafio que é a disputa por um cargo majoritário? Essa eleição que disputei no Rio de Janeiro, eu lancei minha candidatura, mas por razões internas decidi que não seria mais candidato. No entanto, mantive em razão de um pedido do presidente do partido, mas não me envergonho dessa votação porque isso prova que eu não sou um candidato apoiado pelo poder econômico. Se eu tivesse, como outros candidatos tiveram compromissados com empresários, com empreiteiras, fazendo a política não republicana, e tivesse gasto 10 milhões, 15 milhões de reais, eu talvez tivesse sido eleito. Como não gastei, não tive estrutura de campanha, foram apenas os meus amigos que votaram em mim. Gastei R$ 1.700 na minha campanha, está lá na minha prestação de contas. Isso deixa muito claro que meu compromisso é com a minha vocação política com a qual acho que posso dar uma contribuição a Alagoas, a Maceió, e até porque eu sempre estive muito mais em Alagoas do que no Rio de Janeiro. Já venho a Alagoas há 30 anos, desde 1986, sou casado com uma alagoana de Jundiá. Há pelo menos dez anos fico me dividindo, porque tenho minhas atividades profissionais no Rio, mas fico a maior parte do meu tempo aqui em Maceió. O senhor afirmou que iria passar uma temporada morando e conhecendo os bairros de Maceió. Fez isso? Em quais bairros já esteve? Já estivemos no Benedito Bentes, onde eu tive a oportunidade de conhecer a realidade local. Fiquei lá por aproximadamente dez dias, na casa de uns amigos nossos. Ficamos hospedados e circulando no bairro. Agora pretendo fazer em outros bairros, até o final da eleição. Fui porque acho que quem pretende governar uma cidade como Maceió tem que conhecer a sua realidade. Não vejo nenhum outro candidato fazendo isso. Acho que é fundamental a gente conhecer como as pessoas vivem, porque os problemas são gerais, mas as soluções são locais. Inclusive, a gente percebe que cada bairro tem a sua vocação. Acho que um gestor que realmente pretenda as melhores soluções, tem que conhecer a fundo os problemas, na prática, e não apenas na teoria. Eu sou um estudioso de cidades, mas precisa ter essa experiência direta com a população, conversando com as pessoas, dialogando, para entender quais são as necessidades maiores. Numa eleição, obviamente, eu não posso me concentrar num bairro só. Mas pretendo me concentrar, dormir nesses bairros por um período. ? PERGUNTA DA COORDENAÇÃO DE CAMPANHA Por que o lema Maceió segura? Nós fizemos uma opção pela segurança pública, por essa razão, colocamos como candidato a vice-prefeito o coronel Ivon Berto, que é uma figura pública conhecida em Alagoas. Queremos fazer de Maceió uma cidade onde as pessoas se sintam em segurança em nela viver. Quando eu falo da Maceió segura eu não estou me referindo apenas à segurança no que diz respeito à questão militar, do combate ao crime, mas uma cidade segura porque vamos ter uma educação de qualidade, um transporte com dignidade para que as pessoas possam se deslocar, saúde preventiva, que cuida não apenas da doença, mas sobretudo das pessoas; uma Maceió segura porque nós vamos investir onde é necessário, que são as 72 grotas, não fazendo apenas obras em véspera eleitoral, obras oportunistas, eleitoreiras para enganar as pessoas para se manter no poder. Na nossa gestão, não. Realmente vamos ter uma Maceió segura porque vamos construir a possibilidade de que a cidade passe a ter uma integração política, social, econômica e urbana.

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