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‘AL passa por seletividade homicida’, diz Montenegro

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Alagoas é o estado mais perigoso para os negros e o mais seguro para os brancos. A conclusão está no Mapa da Violência 2016, elaborado com dados comparativos entre os anos 2004 e 2014, divulgado na última semana. O número de vítimas de homicídios negras no Estado somou 1.702 contra 60 vítimas brancas, em 2014. A disparidade revela, em Alagoas, na opinião do consultor em segurança pública, Pedro Montenegro, uma seletividade homicida. De acordo com o pesquisador, o padrão da vítima de homicídio no estado corresponde ao nacional, sendo a maioria jovem, negra e do sexo masculino. ?Mas em Alagoas, a tendência de vitimização do jovem negro fica ainda mais clara, já que o Estado aparece como o mais perigoso para os negros enquanto que é o mais seguro para os brancos?, explicou ele, considerando absurda a situação alagoana. ?É um triste paradoxo?. Pedro Montenegro também chama atenção para a interiorização da violência expressa no estudo. Entre as 150 cidades brasileiras com maiores taxas de homicídio, 27 municípios de Alagoas aparecem na lista, entre eles, Murici, que estreia no ranking, na segunda posição. ?Murici nunca tinha aparecido entre as cidades mais violentas. Isso mostra uma expansão do crime no interior?, afirmou o pesquisador, que já foi secretário se segurança em Maceió. A capital de Alagoas também teve destaque no Mapa da Violência 2016, ocupando o segundo lugar entre as capitais com maior taxa de homicídio, atrás apenas de Fortaleza. Alagoas registrou taxa de 56,1 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Santa Catarina foi o estado com menor taxa, registrando 7,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Considerando apenas os jovens negros, a taxa de homicídios alagoana atinge a marca de 71,7. Para Pedro Montenegro, um pacto nacional de redução dos homicídios é urgente. ?Mas o ministro da Justiça [Alexandre de Moraes] afirmou que não irá investir no pacto. Para ele, os investimentos devem ser feitos na compra de mais armas e viaturas?, disse o consultor, criticando a declaração do ministro e defendendo políticas de prevenção. ?O pacto é um instrumento que divide as tarefas nas esferas federal, estadual e municipal. Toda política de prevenção é municipalizada, mas a segurança é tratada apenas como caso de polícia?.

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