Política
Governador aproveita carnaval para tentar acabar com confronto na ALE
ARNALDO FERREIRA O governador Ronaldo Lessa (PSB) estava pronto para brincar o carnaval no Rio de janeiro. Mas o crescimento da violência o fez mudar de idéia. Iria desfilar na Escola de Samba Caprichosos do Pilares, que no seu enredo homenageia Alagoas e faz referências ao herói Zumbi dos Palmares. Além de optar pela tranqüilidade de Alagoas, vai aproveitar para articular novos apoios políticos. Lessa está preocupado com o clima tenso entre grupos de deputados na Assembléia Legislativa. Na entrevista que concedeu à GAZETA DE ALAGOAS, explicou os motivos que o levaram a convidar o ex-presidente da ALE, deputado Antônio Albuquerque (PTB), para ocupar uma de suas secretarias. ?Acho que o deputado Antônio Albuquerque deveria se afastar do Poder Legislativo por um período?. Apesar do clima, Lessa acha que as divergências são políticas. /// - O senhor vai passar o carnaval onde? - Estou querendo descansar alguns dias. Mas hoje estou vivendo um dilema. A Escola de Samba Caprichosos de Pilares, do Rio de Janeiro, vai nos homenagear. Mostrará no seu enredo um trecho da saga do nosso herói Zumbi dos Palmares. Daí como me pediram para abrir o carnaval da Caprichosos, desfilando com o presidente da Escola, estava pensando em sair na Caprichosos. Mas como minha filha resolveu ficar comido, desisti do desfile. - A violência do Rio o fez mudar de idéia? - O Rio está vivendo momentos difíceis. Mas a governadora Rosinha saberá contornar este momento. - Mas o senhor é sambista? - Este é o problema. Não sou Sambista, já disse a escola e mostrei até que poderia comprometer todo o grupo de sambistas. Mas a escola resolveu o problema. Iria desfilar na frente do abre-alas, junto com o presidente da escola e outros direitos. Mas, a vinda da minha filha me fez mudar os planos. - O senhor iria ganhar visibilidade exatamente num momento em que tem uma ala do seu partido ? PSB - defendendo o seu nome para a presidência nacional, sucedendo o deputado Miguel Arraes (PE). A visibilidade deste tipo ajudaria na disputa interna? - Risos... Não, isto não tem nada a ver. Esta visibilidade não tem nada a ver com as nossas disputas internas no PSB. Mas a visibilidade seria boa para Alagoas. - No campo político, existe alguma possibilidade de o deputado Gilvan Barros (PL) vir assumir uma secretaria para que o padre Heraldo possa assumir a vaga de deputado e assim aumentar a sua bancada dos fiéis na Assembléia? - Esta é uma boa engenharia. De quem é a proposta? (risos). De qualquer forma, se houvesse tal possibilidade de eu fazer isso o faria sem hesitar. - E o deputado Antônio Albuquerque poderá, realmente, assumir uma secretaria como se especula nos bastidores políticos? - Eu o convidei. Por que ele não pode ser secretário? O deputado tem sido bombardeado na Assembléia Legislativa por todos os lados. Ele é uma liderança importante. Acho que dependendo da pasta que ele pegasse teria uma boa oportunidade de ter uma experiência nova no Executivo. Poderia entrar de corpo e alma num projeto que tem dado certo. - O deputado aceitou o convite? - Eu insisti no convite, mas o deputado declinou. Para ele, se houvesse entendimento preferiria indicar uma pessoa do seu grupo político. Disse-me que dificilmente ele próprio aceitaria o cargo de secretário. - O senhor concorda com a posição do deputado? - Não. Não concordo. Acho que Albuquerque deveria se afastar da Assembléia por um período e nos ajudar neste projeto de desenvolvimento com justiça social. - O senhor está preocupado com o clima de tensão entre os grupos parlamentares? - Não. Não chega ser isso. Não acho que estamos vivendo um clima de tensão a nível de brigas, perigo. A minha intenção é criar um clima mais a menos para Antônio Albuquerque. Veja bem, como o deputado foi presidente do poder legislativo, hoje quando aparece uma barata em baixo da cadeira, ou qualquer outro problema no Poder, Antônio Albuquerque é o culpado. Isto termina gerando um clima ruim entre ele e os colegas. Por isso, se ele puder sair de lá neste momento, ficar longe deste foco, seria bom e iria nos ajudar a tocar esse projeto que o povo aprovou e está dando certo. Seria também uma boa reciclagem para o deputado. - Governador, o senhor que já foi chamado de incendiário agora virou bombeiro? - É, estou aprendendo com a vida, com as dificuldades. As pessoas mudam. O deputado federal Givaldo Carimbão que o diga. O deputado diz que tinha um gênio forte e hoje diz que Ronaldo Lessa o ajudou muito a levá-lo para um lado mais tranqüilo. Então, por que eu também não posso caminhar pelo lado mais tranqüilo? Hoje vivemos um novo momento, de entendimento. - Esta tentativa de atrair Albuquerque para o Executivo seria para acalmar os ânimos no Legislativo e dar mais tranqüilidade à sua base de apoio na ALE? - Uma coisa tenho de dizer, tenho de fazer justiça, o deputado Albuquerque e nem o seu grupo político neste momento têm causado nenhum tipo de problema para o governo e nem para as reformas. - Mas ele foi o líder do grupo dos 14? - Mas, hoje é um novo momento. Albuquerque é uma liderança que temos de respeitar. - Governador, e a questão da dívida da Assembléia com a Previdência realmente atrapalha a atração de novos investimentos federais? - Atrapalhava. Tive de ir a Brasília e mostrar que a imposição federal era um absurdo. Veja bem, como é que posso responder pelos outros Poderes? Este entendimento do INSS local de que o Executivo responde pelos débitos dos outros poderes é equivocado. Por causa disso, Alagoas está sem receber investimentos há mais de um mês, as obras estão ameaçadas de parar por causa deste entendimento equivocado do INSS, que quer o Estado solidário com a dívida da Assembléia. O Estado não vai ser prejudicado pelo fato de o Legislativo não cumprir com suas obrigações de recolhimento da contribuição previdenciária. - O senhor sabe qual é o valor da dívida do Legislativo? - Não sei e nem quero saber. A dívida não é minha. Eu quero saber o seguinte: Tem 3 milhões de reais para chegar e não podemos receber por causa desse problema. - O preenchimento dos cargos federais, como é que está sendo resolvido? - Por Brasília. Mas está difícil o PSB conseguir o seu espaço. O ministro do Gabinete Civil, José Dirceu, chegou a dizer que iria conversar comigo, com a bancada, definiu data, mas até agora nada. Talvez venha conversar com a gente depois do carnaval. Vamos esperar. Eu tenho paciência. - Os problemas de inadimplência do Legislativo podem provocar a paralisação das obras de ampliação e modernização do aeroporto de Maceió? - Não, porque o governo federal acaba de liberar para o aeroporto recursos na ordem de R$ 9 milhões. Por isso não pára. - Como vai a sua relação com o PT nacional e o PT local? - Lua-de-mel total.