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VIOL�NCIA EM MUNIC�PIOS CRIA ‘2� TURNO INFORMAL’

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Imagine uma cidade e até quase toda uma região dominadas por uma única família durante anos e anos. Gerações que nasceram e cresceram com o poder ?na mão?, passaram o domínio para os descendentes e estes seguiram mantendo a casta e o comando sobre um povo. A história se faz bem presente em solo alagoano, onde os ?coronéis? da política mantêm municípios como uma espécie de feudos, onde aos vassalos cabe prestar serviços ao senhor feudal, pagar impostos e oferecer lealdade e segurança. Na mistura dos dois sistemas ? o coronelismo e o feudalismo ? ao primeiro sinal de ameaça ao poder, o caso é resolvido como no passado: à bala. É assim há séculos. Continua sendo assim no presente. Em Alagoas, o poder político tem nome e sobrenome. Está alicerçado no domínio de famílias tradicionalmente conhecidas quase sempre por histórico de violência à primeira ameaça de perdê-lo. Uma constatação é o que acontece no pós-eleição nos municípios alagoanos ? à exceção de Maceió, onde haverá segundo turno. Nem bem o resultado da votação foi divulgado e os primeiros atos de violência começaram a pipocar. Quem perdeu o poder, mantido durante anos, tenta recuperar, ainda que para isso use da força. A violência é travada por quem nem pensa em ficar sem o poder e por quem quer conquistá-lo a qualquer preço. São Luís do Quitunde, Campo Grande, Porto Calvo e Olho d?Água Grande. Em menos de uma semana após às eleições 2016, quatro candidatos eleitos foram alvos de violência em Alagoas. No Brasil, foram ao menos 12 crimes e ataques com motivação política durante a campanha eleitoral e após o pleito. Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o cientista político Ranulfo Paranhos faz a seguinte análise sobre o processo em que se dá a ?guerra? pela manutenção do poder político como ?tradição de famílias?. ?A violência se dá quando você tem a ameaça da retirada desse poder, cuja solução não pode ser resolvida na urna?, ele diz.

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