Política
Ju�zes esperam que Senado rejeite pacote anticorrup��o
Da rampa que dá acesso aos andares do prédio sede do Fórum da Justiça Estadual em Maceió, localizado no Barro Duro, juízes e integrantes do Ministério Público se pronunciavam contra o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e pode levar magistrados, promotores e procuradores para a cadeia por abuso de autoridade. O Fórum foi o local escolhido pelos representantes da Justiça para protestar contra as mudanças feitas pela Câmara dos Deputados no pacote de medidas anticorrupção que havia sido enviado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Congresso e foi desfigurado pelos deputados federais. Entre as mudanças, os parlamentares incluíram severas punições para os membros do Judiciário no exercício das funções. A reação foi imediata e os protestos tomaram conta do País. Foram realizados quase simultaneamente ontem. Em Maceió, números do Tribunal de Justiça apontam para uma participação de quase 100 pessoas. Diferente das manifestações que envolvem a maioria das categorias profissionais, o protesto se limitou aos corredores do Fórum, de onde manifestantes e a população que buscava atendimento judiciário acompanhava as falas. ?MP AMARRADO? O juiz Ney Alcântara, eleito para assumir a presidência da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) nos próximos três anos, afirmou que se as mudanças feitas no projeto original que tinha como objeto o combate à corrupção forem aprovadas, ?o Ministério Público estará sendo amarrado, o Poder Judiciário intimidado e quem vai sofrer com todas essas medidas vai ser a população que não terá onde buscar o socorro quando estiver com seus direitos totalmente solapados?, disse. Para o magistrado, ?essa foi a maior traição que o Congresso Nacional podia fazer ao povo brasileiro. Mais de dois milhões de pessoas assinaram um projeto alegando defesa da sociedade contra a corrupção. Usaram [os deputados federais] somente o nome, alteraram, porque pela função legislativa eles têm esses poderes, e alteraram de forma a desvirtuar o projeto inicial. O que se tem hoje não é um projeto contra a corrupção. É um projeto para para apadrinhar e esconder a corrupção?, disse ele à Gazeta.