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Falta de pol�ticas faz adolescentes gr�vidas buscarem OAB

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MARCOS RODRIGUES A ausência de políticas para atender as adolescentes grávidas da capital tem levado até a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, centenas de jovens mães. Todos os meses a ordem recebe meninas entre o sétimo e nono mês em busca de ajuda para garantirem o parto de seus filhos com o mínimo de dignidade. Nos últimos dois anos foram 2.020 atendimentos de adolescentes da periferia entre 12 anos incompletos a 19. Segundo Gilberto Irineu, presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB, o número vem crescendo a cada encontro. ?As meninas estão cada vez sem referencial. Como umas falam para as outras do nosso trabalho, elas vêm cada vez mais em maior número?, explicou. Desde que começou o trabalho há dois anos a OAB vem reunindo dados sobre o problema. Até agora uma constatação é clara: a falta de políticas específicas para as meninas. A OAB conta para o trabalho com as adolescentes com a parceria da pastoral da Criança e do Médico Milton Hênio. Eles têm realizado palestras com presença maciça de adolescentes. Entre outros temas são debatidos amamentação, direitos e deveres dos adolescentes e pré-natal. Além de dicas sobre a gravidez e principalmente a importância de uma boa alimentação. ?Basicamente as meninas são mal nutridas e naturalmente passam isso para os filhos. Eu mesmo já vi um bebê que nasceu com 830g. Totalmente subnutrido?, revelou Irineu. Perfil O perfil das meninas atendidas na ordem revela um quadro de extrema pobreza e desinformação. Pelo menos 70% das meninas desistem de estudar na quarta série. 60% fazem apenas duas refeições por dia e nenhum suplemento alimentar. Quando o assunto é pré-natal, apenas 30% fazem acompanhamento. Se o acesso ao posto depender de transporte as meninas desistem do acompanhamento. Outro fator alarmante é quanto ao abandono dos parceiros e dos pais. Em ambos os casos, para o universo de 200 meninas entrevistadas, 30% são ignoradas como se fossem responsáveis sozinhas pela gestação. ?Queremos despertar a sociedade para o problema. São centenas de meninas sem apoio familiar e principalmente sem comida?, adverte o advogado. Ele lembra que as adolescentes grávidas deveriam ter prioridade no atendimento. O próprio Código da Criança e do Adolescente garante isso. ?Elas têm o direito ao acompanhamento de pré-natal, parto e pós-parto, quarto conjunto com o companheiro e a criança, além do parto realizado pelo médico que a acompanhou. Tudo isso está no artigo 8 do código?. Enquanto não existem políticas específicas tem sido na OAB que as meninas têm encontrado apoio.

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