Política
Grupo mede for�a com governo pelo comando da ALE
O risco é iminente e o governador Renan Filho (PMDB) sabe disso. Está ?em jogo? muito mais do que a aprovação do orçamento impositivo pela Assembleia Legislativa (ALE) do Estado. É pelo comando da Casa que um grupo de deputados briga nos bastidores do Poder Legislativo. O Orçamento foi apenas o caminho encontrado para medir força com o governo. Renan Filho sabe tanto do risco que corre de perder o comando da ALE (com a derrocada de seus aliados) que entrou diretamente na disputa e tem conversado com os deputados. Esta semana promete ser decisiva. Se o orçamento passar, o grupo de deputados que tenta assumir o controle se fortalece. Se não passar, o governador sai vitorioso e seguirá dando as cartas. Na terça-feira, 7, os deputados aprovaram o parecer favorável à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Orçamento Impositivo. Doze deputados disseram sim ao parecer. Oito foram contrários. A expectativa é de que a matéria vá à votação em Plenário na terça, dia 12. Se passar, o governo fica obrigado a destinar cerca de R$ 80 milhões do Orçamento de 2017 ? de aproximadamente R$ 10,4 bilhões ? para projetos relacionados nas emendas parlamentares, que equivalem a 1% da receita corrente líquida executada no ano anterior. Os dois lados da moeda articulam. Sabem que não há tempo a perder. Vice-presidente da Assembleia Legislativa e líder do governo na Casa, o deputado Ronaldo Medeiros (PMDB) afirma: ?O parecer que foi aprovado foi apenas sobre a constitucionalidade da matéria?, ele diz, ao revelar que as conversas com os deputados seguem a todo vapor. O parlamentar vai buscar na crise a razão para o Estado não poder arcar com um orçamento impositivo. ?A gente conversou muito com os parlamentares e hoje a maioria está consciente que não deve aprovar neste momento difícil. Um momento que o Brasil passa de recessão, em que nos estados todos a maior luta é pagar a folha salarial dos servidores. Para se ter uma ideia, o Estado está investindo esse ano em torno de R$ 50 milhões e o valor da emenda impositiva é maior do que isso. Então, a gente não pode correr o risco de fazer algo e o Estado não ter como cumprir ou para isso ter que não pagar a folha, fornecedor, não pagar alguns serviços prestados. Melhor a gente deixar para a frente, daqui a um ano, dois anos?, afirma Ronaldo Medeiros.