Política
K�tia � descartada como sucessora de Lessa
ARNALDO FERREIRA A prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB) que era cotada como a sucessora natural do governador Ronaldo Lessa (PSB) nas eleições de 2006, foi descartada pelo partido. Perdeu o posto para o vice- governador Luiz Abílio (PSB). Ele será o sucessor do governador se por acaso a aliança com o PMDB for desfeita. Hoje, o candidato natural à sucessão de Ronaldo Lessa é o senador Renan Calheiros (líder do PMDB no Senado). Kátia sabe que depois de deixar a prefeitura, em 2004, o seu futuro político será como candidata à deputada federal ou estadual. Isto se conseguir terminar o segundo mandato de prefeita sem mais atropelos administrativos. Numa entrevista concedida antes do carnaval, Kátia Born demonstrou saber que alguns integrantes do próprio partido - PSB - comandam um discreto processo de fritura, para facilitar a ascensão política de Luiz Abílio, um técnico que se transformou político e é da confiança do governador. Alianças A fritura é para que a prefeita não atrapalhe o projeto da cúpula do PSB, fique bem distante das discussões e da aliança com o PMDB e com o PSDB do senador Teotonio Vilela. O namoro entre os três partidos ? PSDB, PMDB e PSDB ? virou um casamento sólido. Os dois senadores Renan Calheiros e Téo Vilela mantêm uma aliança sólida com o governador. Está tudo certo para que um dos dois senadores seja o candidato à sucessão de Ronaldo Lessa que será candidato a senador em 2006. A cúpula do PSB trabalha dois candidatos à sucessão de Ronaldo Lessa: o nome mais forte é o do senador Renan Calheiros; se ele não for o candidato poderá indicar Teotonio Vilela, caso não haja problemas com a aliança dos três partidos. Em troca, todo o PMDB, apoia abertamente a candidatura ao senado de Ronaldo Lessa. Trunfo Neste contexto, o vice- governador Luiz Abílio aparece como o trunfo. ?Para quem não queria ser político, se predispunha a nos ajudar como técnico agora tem um posição estratégica dentro do PSB e é um vice apto para governar?, comentou o próprio Ronaldo Lessa, recentemente, no Palácio. Abílio, sempre discreto, demonstra ser um político hábil. Raramente comenta os bastidores políticos, mostra fidelidade aos aliados. Ao ser provocado, diz apenas que é um soldado do partido. Quando é alçado para assumir o governo na interinidade, demonstra mais discrição. ?A tarefa é continuar com a linha administrativa traçada pelo governador que cobra eficiência e probidade?, observa Abílio, nos exercícios da interinidade. Também prefere não comentar as eleições municipais de 2004 ou a estadual de 2006. Destaca que o seu partido apresentará candidaturas com chances reais de vitória. A prefeita Kátia Born mostra resignação com a perda do posto de sucessora natural do governador, em 2006. ?O meu projeto é fortalecer o partido nas eleições municipais de 2004, aumentar o número de prefeituras e de vereadores na nossa base política e em 2006 garantir a eleição de Ronaldo Lessa para o Senado?. Questionada se o partido ainda sustenta a sua candidatura ao governo do Estado, Kátia tem um discurso conciliador. ?O candidato do partido à sucessão do governador é o vice Luiz Abílio. Se ele não for candidato, aí eu seria a candidata natural?. Reabilitação Kátia perdeu a sua força política no PSB quando deixou de emplacar o seu candidato à Secretaria Estadual de Educação, o vereador Marcos Vieira (PSB), no governo Lessa. A prefeita perdeu também na queda de braço para a deputada Maria José Viana (PSB) que indicou Rosineide Lima Lins Costa como sua sucessora na pasta da Educação. A prefeita ainda tentou mostrar força política ao se lançar como candidata à vice-presidenta da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), na chapa da atual presidenta Roseana Beltrão (PMDB). Mas, a necessidade de o governo manter a aliança com o PSDB, obrigou a retirar seu nome em favor do ex-presidente da AMA, o prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB) ? também um aliado forte de Renan e Téo. Ela reconhece como positiva a aliança do seu PSB com o PMDB e o PSDB para compor uma futura chapa majoritária. ?Renan Calheiros e Téo Vilela foram os meus candidatos à reeleição em 2002. Portanto, não descarto a possibilidade de um dos dois senadores ser candidato a governador numa composição com o nosso grupo político?. Observa que o PSB é poder, tem uma aliança forte com 20 partidos de centro e esquerda. Por isso, tem a obrigação de articular a chapa majoritária nas eleições de 2004, para continuar administrando Maceió e as 22 prefeituras. Nas eleições municipais, Kátia tentará se reabilitar como força política do PSB. Apresentará três pré-candidatos a candidato a prefeito: os deputados federais Givaldo Carimbão, Maurício Quintella e o atual vice-prefeito Alberto Sexta- Feira.