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Pol�ticos e traficantes disputam controle�dos conjuntos habitacionais em Macei�

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ARNALDO FERREIRA Há duas semanas, o deputado estadual e cabo Luiz Pedro (PRP) usa o plenário da Assembléia Legislativa para chamar a atenção sobre ?o inferno? em que se transformaram os conjuntos habitacionais Freitas Neto, Carminha, Denisson Menezes e o complexo Gama Lins, onde vivem cerca de três mil famílias de baixa renda. Os conjuntos foram construídos com recursos federais. O deputado diz que algumas casas foram entregues a traficantes, outras são negociadas clandestinamente por militantes do PT, líderes dos movimentos de Trabalhadores Sem Terra e Sem Teto. Já os moradores, acusam políticos e traficantes de quererem controlar os conjuntos habitacionais de baixa renda. Três advogados e até uma suposta assessora do deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, presidente do PT alagoano, estariam envolvidos também no comércio clandestino dos imóveis. A denúncia caiu como uma bomba nos bastidores políticos. O deputado Paulão, que tem duas assessoras em seu gabinete: uma jornalista e outra assistente social, acionou a Procuradoria da República, Procuradoria Geral de Justiça, OAB e até a Secretaria de Defesa Social. ?O deputado Luiz Pedro terá de provar aos ministérios públicos federal e estadual, à OAB e à polícia as suas denúncias contra o PT. Terá de apontar a minha suposta assessora envolvida com o comércio das casas?. O presidente do PT quer que as autoridades cobrem também de Luiz Pedro a localização dos pontos de vendas de drogas nos conjuntos. Terra de ninguém A GAZETA DE ALAGOAS passou dois dias nos conjuntos apontados pelo deputado Luiz Pedro; viu de perto medo, miséria e desespero. Os conjuntos Freitas Neto e Carminha, na área do Benedito Bentes, e o Denisson Menezes, na área do complexo Gama Lins, são considerados pelos moradores como ?terras de ninguém?, uma situação semelhante à ?Cidade de Deus?, no Rio de Janeiro, dominada por traficantes e onde a ação da polícia parece ser ineficiente. Aqui como no Rio, as políticas sociais são pífias. A população vive como se tivesse num campo de refugiados, com hora certa para sair e chegar em casa; se acostumou com os tiroteios. A violência é tão alta que ocorre, pelo menos, um homicídio por semana. Os assaltos se multiplicam em qualquer hora do dia e agora ?justiceiros?, ?jagunços? que se auto-intitulam assessores parlamentares criam leis próprias para transformar essas áreas em reduto eleitorais. A lei do silêncio impera. O deputado estadual cabo Luiz Pedro (PRP), em seu primeiro pronunciamento na Assembléia Legislativa, chamou a atenção para a situação, denunciou que os órgãos públicos estaduais e municipais entregaram as famílias pobres à própria sorte, acusou os militantes do PT, dos Sem Terra, Sem Teto e apontou nomes de líderes comunitários de envolvimento com comércio ilegal de lotes e casas construídas com dinheiro público. Nas áreas dos conjuntos Freitas Neto e Carminha, por exemplo, dezenas de famílias trocaram os imóveis que ganharam por carroças, geladeiras, aparelhos de som, televisores usados, ou venderam, em média, por R$ 50,00, e voltaram para as cidades de lonas ou para as encostas das barreiras na periferia. A denúncia do cabo Luiz Pedro foi confirmada pelo secretário municipal de Habitação, Claudionor Araújo. ?No nosso levantamento, consta que nesses conjuntos 28 casas foram vendidas por ninharia, 11 trocadas, nove cedidas, sete invadidas e duas entregues sem autorização legal, num total de 57 imóveis. Já no Denisson Menezes, a situação já está sob controle?, disse Claudionor, ao acrescentar que quem fez transação ilegal vai perder os imóveis. Quanto ao envolvimento do PT nas transações, o secretário afirmou: ?Não tenho conhecimento do envolvimento do PT em tais irregularidades. Isto nunca chegou ao nosso conhecimento. Também ficamos surpresos com a denúncia do deputado Luiz Pedro?. Denunciante acusado Nos conjuntos, dezenas de famílias denunciam também o deputado Luiz Pedro de comandar a violência através de ?justiceiros? que dizem trabalhar para o parlamentar. A maioria teme Luiz Pedro. Um trabalhador que se identificou com o nome falso de Juvenal Augusto revelou que traficantes trocam tiros com os tais ?justiceiros?. Segundo Augusto, alguns desses ?justiceiros? além de combater o crime assustam a população. Alguns líderes comunitários também se armaram para enfrentar a bandidagem. No conjunto Denisson Menezes, o presidente da Associação Comunitária, Aldair Gonçalves da Fonseca, é um dos muitos moradores que anda ostensivamente armado. Os problemas no Denisson Menezes começam a três quilômetros antes de chegar às minúsculas casas que têm uma arquitetura estranha. A principal via é uma rua de barro que dá acesso também ao presídio de segurança máxima Baldomero Cavalcanti. No início da via, carros velhos fazem lotação: cobram um real para levar cada pessoa ao conjunto. Os que se arriscam a fazer o trajeto a pé, geralmente, são assaltados até na porta presídio, revelou o líder comunitário Aldair. ?Nesta área é um homicídio por semana, assaltos acontecem a qualquer hora do dia?, confirmou. Aldair Gonçalves é proprietário do Mercadinho e Panificação ?Araújo? e como a maioria dos micros e pequenos comerciantes da área, trabalha armado. Antes do dia escurecer, é obrigado a fechar a porta do estabelecimento para evitar confrontos com os assaltantes. O líder comunitário reforçou as denúncias de Luiz Pedro. ?Muita gente que ganhou lotes ou casa neste conjunto vendeu ou trocou até por carroças e voltou para a Cidade de Lona que fica no Conjunto Eustáquio Gomes?. Assegurou ainda que algumas transações foram intermediadas por militantes do Movimento Sem Teto e do PT. O Denisson Menezes tem saneamento básico, água encanada, um posto policial da PM que fica fechado, posto de saúde e um centro comunitário. Segundo a maioria dos moradores, ?muita gente vendeu as casas e fugiu da área com medo da violência?. Um motorista de ônibus da empresa São Francisco, a única que atende a comunidade, disse que os traficantes e assaltantes intimidam e agem principalmente à noite. Outro líder comunitário, Gilberto Teixeira, presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Lucila Toledo, criticou os políticos ligados. ?Eles só aparecem aqui na época de campanha. A própria prefeita Kátia Born almoçou com a gente durante a campanha e prometeu nos ajudar. Mas, até agora nada: os assaltos se multiplicam, o tráfico corre solto e boa parte das ruas não tem saneamento?, criticou. Ao caminhar pelo conjunto e conversar com os moradores, as histórias de violência e queixas contra a Prefeitura de Maceió se repetem. A maioria confirma também o comércio ilegal de imóveis por pessoas supostamente profissionais em ganhar casas do poder público e depois vendê-las ou trocá-las. Militantes do PT A líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Maria Gorete da Silva, também ex-tesoureira da Associação Comunitária Denisson Menezes, confirmou a onda de violência no conjunto, o comércio ilegal de imóveis. Porém, negou as acusações feitas por Luiz Pedro. ?Eu fui uma das dezenas de pessoas que estava acampada na cidade de lona; enfrentei até polícia, tudo para ganhar um pedaço de chão. Então, como é que venderia o que consegui com muito sacrifício??. Mas, não esconde que tem muita gente que não deu valor à luta e vendeu o que conseguiu. Gorete acusou o deputado Luiz Pedro de colocar ?o seu pessoal? na comunidade para intimidar a população. ?O cabo Luiz Pedro sabe que aqui tem muitos votos, por isso está criando uma situação de pânico para o seu pessoal tomar conta da nossa Associação dos Moradores?. Uma das militantes do PT acusada de intermediar negócios clandestinos com imóveis construídos com dinheiro público, Antônia Ambrózia da Silva, se defendeu: ?Trabalho para pessoas do PT. Mas, não vendo e nem compro casas nos conjuntos?. Contudo, Ambrózia ressalvou: ?Se uma pessoa ganha a casa depois vende, deve entrar numa lista negra. Os movimentos que lutam por moradia e o PT não têm nada a ver com isso?. Ela lamentou que mais de 100 famílias ganharam casas, depois venderam ou trocaram por besteira e hoje voltaram para as cidades de lona. ?Acho que essas pessoas têm de ser identificadas pelas autoridades?. Sobre as denúncias de Luiz Pedro, considera que ?o deputado poderia nos ajudar mais se chamasse a polícia para fazer a segurança, cobrasse da prefeitura os serviços básicos, criasse condições de emprego e renda nessas comunidades. Mas, hoje, ele é um dos que fomentam a violência nas áreas pobres. Os seus capangas vivem rondando as comunidades?, acusou Ambrósia. Outro petista, Edílson dos Santos Almeida, observou que quem vendeu as casas foram os moradores e não o PT. ?Acho que o Luiz Pedro quis atacar o deputado Paulão e o PT. Cidade de Lona A Coordenadora da União de Moradores da Cidade de Lona Eustáquio Gomes, Luzimira Oliveira de Freitas, também conhecida como ?Lú?, acusada de vender imóveis, mora com os filhos menores num barraco na cidade de lona. Explicou que mais de 600 famílias cadastradas pelo movimento e pela Secretaria Municipal de Habitação, há três anos, esperam por moradia. Não escondeu que entre as famílias acampadas cerca de 100 ganharam casas, venderam ou trocaram ?por besteiras?. ?Não concordo que essas pessoas voltem a se infiltrar no nosso movimento. Mas, não posso impedi-las, até porque qualquer pessoa pode participar de um acampamento de Sem Teto. Agora, cabe ao poder público fazer cadastro para impedir que essas pessoas sejam beneficiadas novamente?. ?Lú? concorda com as denúncias de Luiz Pedro quando ele diz que ?os conjuntos estão entregues à própria sorte?. ?Ele já foi vereador e hoje está eleito para ajudar as famílias pobres e não fazer politicagem, nem intimidar as famílias?, disse. Ela acha que o deputado tem de ser acionado na Justiça para provar quem são os sem teto que vendem casas às famílias pobres. ?Não aceito essa acusação?, disse Luzimira de Freitas.

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