Política
EMPRESA QUE ADMINISTRA LOCAL DE MASSACRE DISPUTA LICITA��O EM AL
A empresa Umanizzare, que administra o Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde 56 presos foram mortos em Manaus, está interessada em assumir a cogestão do novo presídio de segurança máxima de Alagoas. Construído em 2015, o prédio com 700 vagas ainda está sem funcionamento. Para reduzir a superlotação no sistema prisional alagoano, a unidade aguarda o término do processo de licitação para contratação da empresa administradora. A presença da Umanizzare entre as quatro empresas interessadas preocupa o governo do Estado. O secretário de Ressocialização e Inclusão Social, tenente-coronel Marcos Sérgio, disse que encaminhou um ofício para o governo do Amazonas, pedindo informações sobre as falhas que permitiram a tomada do presídio pelos presos. ?Espero, com muita atenção, o retorno dos colegas do Amazonas. Em Alagoas, a situação está controlada, mas queremos estudar o caso do presídio de Manaus para entender as falhas e tentar identificar os responsáveis, se teve a ver com a gestão da empresa contratada, se foi superlotação, estamos preocupadíssimos?, disse. Ele afirmou que desde o início da semana se reúne com a cúpula de segurança do Estado, inclusive já tratou do assunto com o próprio governador Renan Filho (PMDB). O secretário afirma que, em todo Brasil, cinco ou sete empresas gerenciam presídios, seja seguindo o modelo da cogestão ou das Parcerias Público Privadas. ?Não vou entrar jamais na seara de julgar a empresa. Enviei ofício para o governo do Amazonas, pedindo esclarecimentos, já que a empresa que administra o presídio de Manaus é uma das que estão interessadas em concorrer a nossa licitação. Se for comprovado que ela teve responsabilidade, pode ficar impedida?. Na internet, é possível encontrar a ata da audiência pública realizada no último dia 16 de dezembro sobre a licitação em curso. Participaram do encontro, além de servidores da Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social, representantes das empresas Umanizzare, Montesinos, Socializa e Reviver, esta última que já administra o Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano, desde 2013, com custo aproximado de R$ 3.500 por preso, de acordo com o secretário Marcos Sérgio. No Presídio do Agreste estão, hoje, cerca de 900 detentos. Sobre a demora para conclusão da licitação, o secretário afirmou que ?o processo é complexo. Depois que iniciamos os procedimentos, surgiu a necessidade de fazer audiência pública, que foi muito boa, porque foram tiradas dúvidas junto às empresas interessadas?, afirmou o tenente-coronel Marcos Sérgio, apostando que até o final deste semestre o novo presídio de segurança máxima de Alagoas começa a funcionar em Maceió. No próximo dia 10, o edital deve ser publicado no Diário Oficial do Estado e até o dia 24 de fevereiro, as empresas devem apresentar suas propostas. A vencedora será escolhida pelo critério do menor preço.