Política
Carnaval deve ser sem festa por causa da crise
Este ano não vai ser igual àquele que passou, como diz a letra da marchinha Até quarta-feira, dos compositores Umberto Silva e Pedro Sette. Em Alagoas, a crise econômica obriga a maioria dos prefeitos a não realizar a festa mais popular do País, o Carnaval, por falta de dinheiro em caixa. Um mês após assumirem o comando dos municípios, boa parte dos novos gestores corre para pagar contas deixadas por seus antecessores, débitos com fornecedores e dívidas de toda ordem, inclusive o salário dos servidores públicos. Carnaval, na maioria das cidades, nem pensar. Até mesmo localidades tradicionais da folia não terão a festa. E nos municípios onde os prefeitos decidiriam bancar a tradição para evitar prejuízos econômicos ainda maiores, como é o caso dos polos turísticos, e cidades onde historicamente a frevança ocorre, haverá um corte significativo nos investimentos em relação a anos anteriores. No Carnaval da crise, o jeito vai ser apelar para a criatividade ou guardar para o ano que vem fantasias, silenciar blocos carnavalescos, trios elétricos e orquestras sinfônicas, até que a situação econômica se normalize. Na capital, inicialmente, a tendência era que não houvesse Carnaval nos bairros. Porém, o presidente da Fundação Cultura de Maceió (FMAC), Vinícius Palmeira, decidiu garantir a tradição, ainda que de forma bem mais acanhada do que em anos anteriores. Para isso, ele aposta em duas vertentes: polos ou regiões administrativas e a parceria com a comunidade. Até essa sexta-feira, 3, o gestor corria contra o tempo para assegurar a realização do festejo nos bairros da capital. ?Vamos trabalhar o conceito de polos. Temos oito regiões administrativas e em cada uma delas será escolhido um bairro dada a sua mobilização, a sua efervescência cultural. Estamos pensando usar essa força para fazer acontecer o Carnaval dos bairros?, revela, ao dizer que ?Carnaval é sobretudo a mobilização da comunidade. A crise força a criatividade. Então, o município vai investir muito mais nessa relação nos bairros que por si já têm uma vocação nesse sentido para que a coisa flua. Agora, sem dinheiro isso não é possível. E para conseguir esse dinheiro que eu estou correndo atrás, para que a tradição aconteça da maneira mais legítima?, informa, ao ressaltar que conta com o aval do prefeito Rui Palmeira (PSDB). No mesmo ritmo de cortar gastos, segue o prefeito de Maragogi, Sérgio Lira (PP). Localizado no Litoral Norte do Estado, o município é um dos balneários tradicionais nesta época de festa de Momo. Atrai centenas de nativos e turistas vindos de toda parte do Brasil e estrangeiros. Por isso, a decisão de manter a festa, mas sem gastança, segundo afirma o gestor. De acordo com o prefeito, ?o município não irá custear a realização do carnaval com toda a estrutura de palco, camarotes e bandas de axé com valores milionários?. A despesa da prefeitura com o Carnaval deste ano será unicamente com o trio elétrico que puxará os blocos que desfilarão pela orla marítima durante o dia. ?O cachê das bandas que se apresentarão no trio ficará sob a responsabilidade dos donos dos blocos. A realização dos shows, à noite, na praça de eventos, será particular, promovida por uma empresa privada?, informou o prefeito por meio de sua assessoria. ?Damos prioridade ao pagamento do funcionalismo, pois queremos recuperar sua autoestima?, disse Sérgio Lira. ?Já começamos a pagar os meses de outubro e novembro do quadro efetivo e dos aposentados, deixados pela gestão anterior, e janeiro deve estar na conta até sexta-feira [ontem]. Pretendemos também pagar dezembro, mas ainda não temos data programada?, disse, ao ressaltar que além dos salários atrasados, encontrou, ao assumir, prédios e veículos sucateados.