Política
Luiz Dantas diz que n�o se sente amea�ado por Marcelo Victor
Nunca o parlamento alagoano esteve tão monitorado. Seja pela repercussão entre os próprios deputados na relação com o governo ou pelo acompanhamento diário da mídia especializada. Foi assim na última quarta-feira, quando o deputado Luiz Dantas (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa Estadual (ALE), foi reeleito em meio a tensões, acordos e até uma ameaça de morte, em plenário, quando presidia o processo de escolha. Nesse contexto, considerado atípico por alguns, mas muito normal por outros, pode resultar em outra hipótese: a renúncia de Dantas. O governador Renan Filho (PMDB), que oficialmente não se envolveu no processo, mas à distância agiu para não perder o comando da ALE, já ofereceu apoio à Dantas. Mas o fato considerado grave pelo próprio presidente e que envolveu o deputado Marcelo Victor (PSD) continua reverberando. Isto porque ao ser contrariado com a possibilidade da eleição da Mesa Diretora ser adiada, Victor partiu em sua direção e, com a mão no rosto e cobrindo a boca, teria falado pelas costas que mataria Dantas. Pressionado e cercado por homens do Gabinete Militar, assessores da ALE e ainda com o apoio do filho Paulo Dantas ao seu lado, o presidente preferiu ?não dar o mote para o deputado Marcelo?. Com a decisão de realizar a eleição, Luiz Dantas foi de encontro à articulação que nascera no plenário, a partir de uma proposta do deputado Olavo Calheiros (PMDB). Mas Dantas optou por seguir o Regimento Interno, e como foi o autor da convocação para sua reeleição e a da Mesa Diretora, deu então sequência ao processo. REPERCUSSÃO O problema é que o conteúdo ameaçador da fala do parlamentar vazou, em menos de 24 horas depois, por meio de um site de notícias da capital. Somente depois da revelação do fato é que o pronunciamento de Marcelo Victor, onde destacou a possibilidade de ?guerra de espadas? e que fosse evitado ?reviver momentos passados nesta Casa?, numa alusão ao tiroteio ocorrido na votação do impeachment de Muniz Falcão, em 1957, ganharam sentido. Por sua vez, Dantas, ao voltar atrás da posição em apoio ao adiamento da eleição, disse: ?Não quero dar o mote ao deputado Marcelo, que chegou bastante nervoso aqui, dizendo coisas que... Ainda está tenso... Dizendo coisas que ninguém gostaria de ouvir?. Com a eleição realizada, Marcelo Victor conseguiu conquistar o espaço político que queria. Agora, irá comandar a 1ª secretaria da ALE. CONTROVÉRSIA Dois dias depois, na última sexta-feira, diante da repercussão do fato e de que teria cedido às ameaças, o presidente da ALE, por meio de sua assessoria, nem confirmou, nem desmentiu o episódio. Ao invés disso, preferiu falar em controvérsia e com tranquilidade dizer que não se sente ameaçado. A Gazeta também tentou ouvir outros deputados da base aliada, mas ninguém quis sair em defesa do presidente e nem confirmar se o caso irá parar na Comissão de Ética da ALE.