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Sentença de acusados de matar vereador deve sair ainda hoje

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Diante de um auditório lotado, as palavras de uma professora que eleva a voz poucas vezes e chora uma saudade de mais de cinco anos. Um crime que teria sido político e teve como vítima o médico, professor e vereador por Anadia Luiz Ferreira de Souza. Rita Namé, viúva, foi a primeira testemunha a ser ouvida nessa quinta-feira, 16, no julgamento de parte dos acusados de envolvimento no assassinato do esposo dela, morto em uma emboscada em setembro de 2011. O julgamento deve ser retomado hoje, às 7h30. ?Quinze dias antes do crime, ela (ex-prefeita Sânia Palmeira Barros) estava tomando café na minha casa. Meu marido não tinha inimigos. Não tenho dúvidas de que foi um crime político. Espero que a Justiça seja feita, embora a injustiça já tenha acontecido, com a morte dele. Eu só estou viva pelo grande amor que tenho por ele?, diz Rita Namé. A viúva do vereador Luiz Ferreira pediu para não ficar no mesmo ambiente que os acusados da morte e clamou pela condenação dos envolvidos. ?Ele nunca ficaria na política se fosse uma ameaça. Meu marido adorava crianças e nunca conheceu o neto e meu neto nunca vai conhecer o avô. Quem vai devolver isso? Quem vai pagar por isso??. A investigação policial apontou que Luiz Ferreira foi vítima de um crime político. Era um vereador atuante ? começou apoiando a gestão, virou oposição e depois ameaça ao mandato de Sânia Tereza Palmeira Barros ? que era prefeita de Anadia. Alessander Ferreira Leal era esposo dela. Além dele e de Sânia, foram apontados como responsáveis pela execução, Tiago dos Santos Campos, Everton Santos de Almeida (foram a julgamento) e Adailton Ferreira e Wallemberg Torres da Silva. Sânia cumpre prisão domiciliar e não foi a julgamento por conseguir liminar, assim como Adailton Ferreira e Wallemberg Torres da Silva, que recorreram da decisão que determinou o júri, e esperam julgamento do recurso pelo Tribunal de Justiça. Irmã de Luiz Ferreira, a professora e assistente social Maria Lúcia de Souza veio de Salvador, onde mora, para acompanhar o julgamento. ?É um momento de muita emoção, de muita dificuldade para a gente. Confiamos na justiça divina e na justiça dos homens. Foi um crime bárbaro, um crime de execução. Luiz era pessoa que agregava a família. Como médico salvou muitas vidas, mas infelizmente não conseguiu salvar sua própria vida. Queria mudanças, queria uma politica direcionada para o povo. O Luiz foi convidado pelo partido para ser prefeito?. ?Nós vamos mostrar aos jurados a realidade dos autos. Primeiramente o excelente trabalho da polícia, da perícia, com inquérito muito bem feito, e a instrução processual muito bem conduzida que culminou na confissão de dois dos réus que serão julgados hoje?, afirmou o promotor Paulo Barbosa, assistente de acusação. Segundo ele, o crime foi cometido na forma de associação criminosa. ?Seis denunciados, três dos quais serão julgados hoje. A participação da ex-prefeita foi como autora intelectual, o réu Alessander teve como função coordenar os trabalhos. O réu Adailton Ferreira, que não vai ser julgado hoje porque interpôs um recurso da pronúncia que suspende o julgamento, cooptou os executores materiais (Wallemberg Torres da Silva que está foragido, autor dos disparos), Tiago (que dirigia o carro usado pelos criminosos) e Everton de Almeida (que estava no banco de trás)?. Adailton, segundo o Ministério Público Estadual, teria feito a ?contratação? dos executores através do irmão Leonardo, que não foi encontrado. ?A divisão de tarefas foi muito bem organizada. Todos eles foram responsáveis pela morte. A motivação do crime foi eminentemente política. A vítima, além de médico e professor, era um vereador bastante combativo?, acrescenta o promotor. Paulo Barbosa esclareceu que Luiz Ferreira não compactuava com as práticas fraudulentas da administração municipal. ?Ele já tinha externado publicamente que votaria pelo afastamento dela. Ele era um empecilho a carreira política dela e ela se viu ameaçada de perder o mandato por conta do voto decisivo?, conta o promotor sobre uma votação na Câmara Municipal de Anadia que poderia culminar com o afastamento de Sânia. Ela foi cassada posteriormente por irregularidades na gestão municipal e passará por julgamento, ainda sem data definida. ?Cinco mil reais. Esse foi o valor pago pela morte dele. Isso é o que diz o inquérito policial. Foi queima de arquivo para ele não votar as falcatruas dela (ex-prefeita). Ele estava assumindo publicamente que era oposição, só faltava oficializar?, conta a professora Rita Namé. Luiz Ferreira era filiado ao PPS e tinha planos de sair candidato a prefeito de Anadia. ?Ele tinha ideal político. Queria mudar a cidade onde nasceu?.

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