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Voto feminino completa 85 anos

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Oitenta e cinco anos se passaram desde que a mulher teve assegurado o direito de poder ir às urnas no Brasil e votar. A conquista se deu no dia 24 de fevereiro de 1932, quando, por decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas, as mulheres que atendessem a certas condições, como ter trabalho remunerado, teriam direito ao voto. Mas o que mudou nesse cenário mais de oito décadas depois da conquista? Quem responde são as professoras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Luciana Santana e Andréa Pacheco de Mesquita, consultadas pela Gazeta. ?No dia 24 de fevereiro de 1932, foi publicado o primeiro Código Eleitoral do Brasil que eliminou as restrições, mas apenas facultou o voto às mulheres. Trata-se de um evento importante, um marco institucional que altera, segundo a lei, o papel da mulher à aquisição de direitos políticos, mas como sabemos tal direito, ao voto, não veio acompanhado do reconhecimento social satisfatório, avançamos pouco?, afirma Luciana Santana, para explicar em seguida a baixa participação feminina na política. ?A participação efetiva da mulher na política ainda é baixa, não atingindo nem 10% dos cargos eletivos. Isso se deve ao baixo reconhecimento, inclusive das próprias mulheres eleitoras, da capacidade da mulher para estar à frente da condução política, ao baixo incentivo para mulheres se filiarem e participarem ativamente da vida partidária, consequentemente da vida política, à cultura machista que ainda é predominante, falta de estrutura para conciliar vida pessoal como mãe, mulher, esposa, dona de casa com a vida política?, ela pontua, ao dizer que, na contramão, está o número de mulheres enquanto eleitoras, que aumentou consideravelmente. ?Mais da metade dos eleitores são do sexo feminino. A participação da mulher como candidata também aumentou, impulsionada pela lei da cota aprovada em 2006, entretanto, a eleição de candidatas mulheres ainda é muito baixa?. Para a cientista política, ?é possível ampliar a participação, mas as iniciativas que teriam esse objetivo, como por exemplo, cota para mulheres serem eleitas, foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em 2015. Os partidos também podem investir mais em quadros femininos seja na sua estrutura interna ou nas candidaturas de mulheres?. Alagoas, segundo Luciana Santana, ?também segue a mesma dinâmica da política nacional. Podemos contar nos dedos quais são as deputadas, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Vereadores?, ressalta. No Congresso Nacional (Câmara e Senado), observa a cientista política, além de as mulheres não atingirem 10% dos cargos, ?a primeira configuração do governo Michel Temer não contou com nenhuma mulher no cargo de ministra. Recentemente indicou a ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois. Temos apenas duas ministras no Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, indicada pelo ex-presidente Lula e Rosa Weber, indicada pela ex-presidente, Dilma Rousseff. Como se pode notar, a participação e o reconhecimento da mulher na política são baixos?, destaca.

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