Política
PT articula volta ao governo do Estado
Depois da repentina saída do governo, em meio ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, no ano passado, e quase desaparecer do mapa político do Estado, nas eleições municipais, o PT se movimenta para voltar ao governo estadual. A articulação para isso já começou e conta com o apoio do próprio governador Renan Filho (PMDB). ?Nunca tivemos nenhuma divergência por aqui, mesmo que nacionalmente eles tenham avaliado de forma diferente?, disse Renan Filho, há duas semanas, ao deixar a Assembleia Legislativa Estadual (ALE) após a reabertura dos trabalhos na Casa. Os petistas marcharam com Renan Filho durante toda a campanha eleitoral e, inicialmente, ocuparam a Secretaria Estadual da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), com Joaquim Brito, que depois foi remanejado para a Secretaria Estadual do Trabalho e Emprego (Sete). Durante o amargo processo de impeachment, em várias entrevistas, Brito ?batia? no PMDB nacional, principalmente quando a legenda, então comandada pelo senador Romero Jucá (PMDB), propôs o desembarque do governo Dilma. Posteriormente, na Câmara dos Deputados, o partido, quase que de forma unânime, votou a favor do impeachment da presidente. Foi então que o deputado federal alagoano Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), anunciou a saída do partido do governo Renan Filho. A medida, reflexo da posição nacional do partido, foi seguida em Alagoas, meio a contragosto por alguns, mas em nome do ?centralismo democrático? romperam com Renan Filho. Mesmo assim, durante as críticas nas redes sociais, na imprensa e em pronunciamentos, nunca houve um ataque frontal a Renan Filho. O mesmo aconteceu em relação ao pai, o senador Renan Calheiros (PMDB), que, como presidente do Senado Federal na votação definitiva que afastou Dilma Rousseff, ainda conseguiu ter salvos os direitos políticos. Ou seja, se existia rusga era entre os próprios petistas. Agora, com os ânimos serenados e sem espaço político na Câmara Municipal de Maceió, nem na Assembleia Legislativa Estadual e apenas comandando duas prefeituras ? Inhapi e Olho d?Água do Casado ? os petistas podem voltar. O retorno ganha força dentro do partido, mas não entre todas as correntes. A corrente majoritária ?Construindo um Novo Brasil?, liderada por Paulão e Brito, trabalha para viabilizar a proposta. Mas dentro do próprio partido os grupos mais ortodoxos ainda torcem o nariz quando o assunto é ventilado. A discussão oficial deve ocorrer em abril durante uma plenária. Até lá o processo é de convencimento e ?redução de danos?. Como o assunto é embrionário, nenhuma liderança do PT quis se pronunciar oficialmente sobre a volta. A única certeza, porém, é que o partido será bem-vindo. O retorno é parte da estratégia política do governador Renan Filho de recompor sua base de apoio construída na eleição de 2014.