Política
PF investiga desvio de verba da merenda escolar
A segunda etapa da operação Brotherhood, deflagrada nessa sexta-feira, 10, e que investiga, principalmente, o cometimento de fraudes em processos licitatórios contra a merenda escolar em vários municípios, cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e mais 22 de condução coercitiva em oito cidades, sendo seis em Alagoas e mais duas em Pernambuco. Estima-se que uma organização criminosa composta de funcionários de empresas de fachada seja responsável por emitir notas falsificadas, cujos valores somados podem alcançar até R$ 20 milhões. As investigações foram iniciadas em 2015, a partir de indícios apurados pela Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União em Alagoas, de que havia fortes indícios do fornecimento irregular de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar para diversos municípios de Alagoas. Uma operação foi deflagrada em junho do ano passado para recolher elementos que pudessem comprovar o esquema fraudulento. As buscas aconteceram nos municípios de Arapiraca, Cajueiro, Girau do Ponciano, Ibateguara, Penedo, Roteiro, Tanque d?Arca, Traipu e em Maceió. Na primeira fase da operação, os policiais apreenderam vários documentos que sinalizaram a participação de mais empresas no referido esquema, justificando a deflagração de mais uma etapa. ?No momento inicial, foram executados mandados de busca e apreensão em várias cidades. Com base nas apreensões feitas nas empresas, que supostamente forneceram gêneros alimentícios para estes municípios, a polícia verificou que estas mesmas empresas tinham tomado a mesma atitude também para outras cidades de Alagoas?, explicou o superintendente da PF em Alagoas, Bernardes Gonçalves Torres. Desta vez, foram cumpridos, também, mandados de condução coercitiva, todos divididos em oito cidades (Igreja Nova, Joaquim Gomes, Limoeiro de Anadia, Atalaia, São Luís do Quitunde e Maceió, além de duas cidades do interior de Pernambuco). Foram apreendidos processos de contrato, documentos diversos e agendas com anotações. A polícia e a CGU querem confirmar que as empresas simulavam contratação de serviços e utilizavam pessoas como ?laranjas?. O inquérito instaurado pela PF apura os exercícios financeiros de 2013 a 2016. Estão sendo analisados os contratos firmados a partir de processos licitatórios neste período. O prejuízo aos cofres dos municípios pode alcançar R$ 12 milhões. As pessoas conduzidas para a Superintendência da PF foram ouvidas e assinaram um Termo de Declaração. Ninguém foi preso, já que ainda há uma leve suspeita que recai sobre o que foram conduzidos coercitivamente. A PF não descarta que elas possam vir a ser indiciadas no futuro. Outros ainda podem ser identificados, tendo em vista que a investigação vai continuar.