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“Lula deve ser impedido de se candidatar”

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O cientista político e professor da Ufal, Ranulfo Paranhos considerou boa a estratégia partidária do PT em lançar Lula. Mas, do ponto de vista político, ele acredita que a candidatura não prospere porque Lula deve ser impedido de se tornar candidato. Ranulfo Paranhos admite o fortalecimento interno do PT, que se uniu em torno da figura do ex-presidente com o que chama de ?núcleo duro do partido?, mas comete o pecado de não admitir erros e transferir a culpa. ?Primeiro o partido adotou o discurso da negação. Depois passou a fazer a transferência da responsabilidade ou culpa. Isso tinha força quando Dilma ainda estava no governo. E o PT comete seu maior erro histórico que é a não admissão de culpa. Isso é para nós que acompanhamos, quem já votou no PT é um problema?, analisou Paranhos. Essa análise, do modo que compreende, afasta uma parte do eleitorado mais crítico e que um dia já votou no partido, mesmo que circunstancialmente. Não seria o caso dos beneficiários dos programas sociais. Paranhos acredita, também, que o PT tem uma incrível capacidade de forma unida de fazer marketing e convencer. Foi isso, por exemplo, que contribuiu para a imagem do PSDB e dos demais partidos aliados serem vistos como sendo de direita. ?O PSDB nunca teve essa preocupação e nunca se importou em ser visto assim e o PT conseguiu colocá-lo como um partido de direita, mesmo tendo figuras internas como o senador José Serra, que teve uma trajetória de esquerda, muito mais que algumas figuras do PT?, considerou o cientista. Com o anúncio da candidatura de Lula, ele analisa que o partido está saindo na frente do que poderá ainda vir como decorrência das investigações da Lava Jato. O próprio depoimento de Lula ao presidente do inquérito, o juiz Sérgio Moro, é um dos mais esperados. Principalmente pelo fato de que há uma expectativa do que poderá acontecer com o futuro da operação e do próprio ex-presidente. ?Desta forma, o partido se antecipando aos fatos e lançando Lula como candidato, é uma estratégia para desviar o foco e colocá-lo como vítima de um ataque político e não jurídico?, contou Paranhos, que não considera isso postura ética.

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