Política
Fim do imposto sindical exp�e rixa de entidades
Um dos pontos da reforma trabalhista do presidente Michel Temer e de sua equipe econômica, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical compulsória, gera divergência inclusive na base aliada do governo. Tem quem defenda, mas tem quem não aceite de forma alguma que o pagamento deixe de ser obrigatório, tanto para os empregados sindicalizados quanto para aqueles que não são associados às entidades de classe. Em Alagoas, enquanto entidades patronais defendem a permanência do imposto, uma das maiores representações de profissionais no País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), considera que do pacote de medidas que compõem a reforma, essa é a única que não apresenta danos às classes. Uma vez ao ano, sempre no mês de março, é descontado o equivalente a um dia de salário do trabalhador. Com a proposta, a contribuição deixaria de ser imposta. ?Das coisas ruins dessa reforma, essa é a melhor que vai acontecer?, afirma o diretor da CUT, Izac Jacson, ao dizer que ?desde a fundação da CUT, em 1983, desde a existência de nossos sindicatos mais combativos, que nós somos contra o imposto sindical. Não conseguimos, em nenhum governo, inclusive no do PT, acabar com o imposto?, ele diz. DIVISÃO E o sindicalista justifica: ?No governo Lula, havia um pacto entre as centrais que por reconhecimento acabava com o imposto sindical. Só que depois desse reconhecimento, as centrais deram para trás. Só ficou a CUT isolada. E em vez de acabar, as centrais começaram a receber?. A partilha do imposto sindical passou a ser feita da seguinte forma, diz Izac Jacson: ?60% para o sindicato, 20% para as federações e confederações e os outros 20% rateados para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e as centrais, cabendo para as centrais um rateio de 10% no volume de todo recurso arrecadado no País?, informa. Ele considera que é ?possível que se tenha alguma resistência ou negociação desse processo, inclusive com atos de centrais sindicais, mas a CUT tem uma posição pelo fim do imposto, majoritariamente. Tem sindicatos nossos que não, mas a posição da CUT majoritária é pelo fim do imposto sindical?. O que a Central defende, de acordo com Izac Jacson, ?é um modelo de associação, de filiados. A maioria dos nossos sindicatos não depende de imposto sindical. Com raríssimas exceções?. E ele exemplifica. ?Os bancários de São Paulo devolvem para a categoria. Os urbanitários de Alagoas devolvem 60% para os trabalhadores. A maioria dos nossos sindicatos vive da receita de sócios. A mensal, aquela que você quer se filiar, de 1% a 2% do piso?.