Política
Cen�rio econ�mico fica mais grave ap�s den�ncia sobre Temer
O agravamento da crise política no Brasil se reflete diretamente na economia nacional, que se já não vivia momentos bons, segue agora cambaleante. Política e economia caminham juntas. Se uma não vai bem, a outra segue na mesma direção. O caos político no qual mergulhou a Nação também paralisa reformas que estavam em pleno andamento no Congresso Nacional e que retiravam do trabalhador direitos adquiridos há décadas, como é o caso da Trabalhista e da Previdência. Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o economista Cícero Péricles traça um panorama do que deve se transformar a economia do País. ?Com dois anos de recessão ? 2015 e 2016 ? a economia brasileira começava, no primeiro semestre deste ano, a dar sinais de uma leve recuperação ? inflação em queda, saldo comercial positivo, aumento moderado do consumo e, principalmente, a expectativa de um PIB anunciado de 0,5%, ainda baixo, mas positivo?, ele diz. E afirma: ?É consenso que a razão central da crise econômica brasileira é política. Desde o final de 2014, quando a oposição não aceitou o resultado das eleições, que o País vive sob a tensão de uma crise política que contaminou a economia, levando o País a um impeachment de uma presidente recém-eleita e escolha de um presidente com legitimidade questionada?. SEM INVESTIMENTOS As denúncias desta semana, ressalta Cícero Péricles, ?deixaram claro que o governo Temer não terá condições de dirigir o País no sentido de uma recuperação econômica. As incertezas ? quando ele sairá, quem será o sucessor, se haverá eleições diretas ? aumentaram com as denúncias recentes, diminuindo assim a previsibilidade no horizonte da economia. E isso significa menos investimentos, menos empregos, queda de renda e menos consumo?. Cícero Péricles destaca ainda que ?a crise é política e a recuperação da economia dependem da duração dessa crise. O sistema econômico está funcionando, está em movimento, mas sob o efeito dessas notícias negativas. Enquanto o cenário político não ficar desanuviado os agentes econômicos diminuem suas atividades ou mesmo paralisam alguns projetos?, afirma. Ao dizer que ?nessa conjuntura de crise intensa o dólar disparou, aumentando a possibilidade de mais inflação e os investimentos públicos estão quase paralisados, significando mais problemas na área de contratações e emprego?.