Política
Or�amento da Marinha � preocupante, diz comandante
Para possuir uma esquadra digna da relevância geopolítica do País, a Marinha do Brasil precisa de destinações orçamentárias anuais entre R$ 3,2 bilhões e R$ 3,4 bilhões, revelou o comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), realizada na manhã de ontem. Mas, o atual cenário de restrições, advertiu o militar, tem causado grandes dificuldades, uma vez que para 2017 a verba disponível será de R$ 2,34 bilhões, sem contar os contingenciamentos. O colegiado é presidido pelo senador Fernando Collor de Mello (PTC). Durante os debates, o parlamentar ressaltou a importância de se investir na tecnologia militar, visto que, ao longo dos últimos anos, 13 marcos de avanço tecnológico do País tiveram como base o desenvolvimento cientifico na área das Forças Armadas. Fernando Collor disse também que é fundamental que o País esteja pronto para qualquer tipo de eventualidade, como força de dissuasão, mantendo, assim, o reino de paz, concórdia e de consenso nas relações com os países aliados. Em virtude dessa condição narrada pelo almirante, Bacellar afirmou que a Marinha vive hoje uma situação ?extremamente delicada e preocupante?, a despeito do quadro técnico altamente capacitado e de continuar cumprindo plenamente sua missão constitucional. ?Precisamos de pelo menos mais R$ 800 milhões por ano para que o Brasil tenha uma esquadra de acordo com suas necessidades. Isso precisa ser acertado ou a nossa esquadra de superfície vai desaparecer em pouco tempo?, ressaltou ele. O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que a comissão tem a obrigação de suprir as necessidades brasileiras de defesa marítima. ?Basta ver a idade de nossas fragatas e corvetas, é uma deficiência gravíssima. Se a situação hoje é relativamente tranquila, num futuro médio nós não sabemos o que pode acontecer?, alertou o senador, reiterando que o presidente da CRE, Fernando Collor, trabalhará com os demais membros na identificação de fontes de recursos adicionais. SUBMARINO NUCLEAR Uma das maiores prioridades da Marinha continua sendo o programa de submarinos nucleares. O senador José Agripino (DEM-RN) chamou a atenção para a importância científica do projeto. Desenvolvido em parceria com a França, o primeiro submarino teve o projeto de sua fase básica finalizado em janeiro, e, segundo Bacellar, a construção de fato deve começar em 2020. ?Um submarino nuclear já é um grande avanço para nós, ainda que não lancemos mísseis balísticos. E talvez nem seja o momento pra desenvolvermos isso, exigiria uma necessidade estratégica?, afirmou o militar. Em resposta a Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Bacellar disse que o acordo com a França tem sido vantajoso também no que se refere à transferência de tecnologia, com centenas de engenheiros e técnicos brasileiros atuando naquele país. ?Mas no reator nuclear ninguém nos ajuda. Aliás, tem país que, se puder, vai querer nos atrapalhar. É um grande desafio de nosso programa, onde continuamos avançando?, informou. O militar também chamou a atenção para a relevância que possui o programa nuclear da Marinha na retenção de milhares de jovens cientistas que ?provavelmente já estariam trabalhando fora do País, se não fosse ele?. No que se refere à atuação da Marinha como um todo, ele ressaltou a importância que tem o resguardo de nossas águas territoriais para a internet (dependente de cabos submarinos) e para as trocas comerciais, pois cerca de 10% do que se transporta por mar em todo o mundo passa por águas brasileiras. ?