Política
Deputados rejeitam PEC que reduzia recesso parlamentar
Sem articulação em plenário, o projeto de emenda à Constituição Estadual, do deputado Rodrigo Cunha (PSDB), para reduzir o recesso parlamentar de 90 para 55 dias foi rejeitado, na tarde de ontem, por 14 votos a 3, em sessão extraordinária na Assembleia Legislativa Estadual (ALE). Antes da decisão, Cunha voltou a apelar para a ?consciência? dos colegas de parlamento, porém, não fez nenhum corpo a corpo prévio, apenas pronunciamentos e a defesa nas redes sociais, diretamente, com seus eleitores. A estratégia, porém, não mobilizou nenhum deles até as galerias para fazer pressão. Assim, na hora que entrou na pauta, além dele apenas Jó Pereira (PMDB) e Bruno Toledo (Pros) votaram pela proposta. Haviam 19 deputados presentes no plenário, sendo que o presidente Luiz Dantas (PMDB), conforme o regimento, não vota. Assim, a matéria precisaria de 17 votos ?sim?. Cunha ainda tentou argumentar que o recesso longo atrapalha a produção parlamentar. ?Além disso, o que propomos é uma adaptação à Constituição Federal, que desde 2006 fez essa alteração. Alagoas é um dos poucos estados em que isso ainda não aconteceu?, disse Cunha. Ele lembrou que quando a proposta foi criada, Alagoas vivia outra realidade, na qual onde até o transporte animal ainda era utilizado. ?Hoje não. Temos nossos carros potentes e podemos nos deslocar dentro do Estado, ir numa cidade como Delmiro Gouveia e voltar no mesmo dia. Além disso, os números são claros, para cada quatro anos trabalhados, pelo menos um o deputado fica em recesso se somado todo o recesso?, acrescentou o tucano. Mas a primeira reação veio do deputado Bruno Toledo. Mesmo votando com Cunha, por concordar com o ?mérito da matéria?, disse que o colega estava equivocado ?ao acreditar que no recesso os parlamentares agem como se estivessem de férias. Eu, particularmente, aproveito para estudar, me qualificar para não falar besteira aqui?, justificou. A polêmica foi se arrastando, até a intervenção do deputado Antônio Albuquerque (PTB), que classificou a proposta como ?eleitoreira?. Segundo explicou, nos últimos 20 anos nunca viu o parlamento deixar de produzir por conta dos recessos.