Política
A DISPUTA PELA PERIFERIA
Com a população superior a um milhão de habitantes (segundo o IBGE, são 1.013.77 moradores) distribuídos em 50 bairros, Maceió é a 14ª capital do País e a quinta do Nordeste em índice populacional. Os contrastes da cidade chamam a atenção: é um dos balneários mais bonitos do Brasil, atrai turistas de várias partes por causa da beleza natural do litoral de águas mansas, mornas e com brisa agradável o ano inteiro. O povo é hospitaleiro. Do ponto de vista social, 80% dos moradores vivem na periferia, onde existem ocupações em mais de 40 grotas, favelas, barreiras e são áreas em situação de pobreza semelhante aos dos países mais miseráveis da África. E não precisa ir muito longe para ver a miséria desta cidade, fundada em 5 de dezembro de 1815 durante a passagem de D. Pedro II. Nesses 202 anos, a capital cresceu desordenadamente. Um dos exemplos, na área central, é o Vale do Reginaldo, no bairro do Poço. A comunidade fica perto das sedes administrativas do governo estadual, da prefeitura, do quartel geral da Polícia Militar e a imagem mais comum na comunidade é de uma terra esquecida. Pelas ruas enlameadas e com esgoto do Reginaldo, grande quantidade de porcos, cavalos doentes, crianças descalças e mães adolescentes. A maioria em situação de miséria. Os becos da comunidade são dominados por grupos armados rivais e de jovens traficantes que entraram no crime aos dez anos de idade por absoluta falta de opção. Na localidade moram mais de 13 mil pessoas (número fornecido pela Associação de Moradores), boa parte desempregada e que sobrevive de reciclagem e pequenos bicos. Todos convivem com medo dos confrontos entre policiais e acusados em crimes. Duas escolas de ensino fundamental são alternativas. Mas faltam áreas de lazer, de esporte, concluir obras públicas - como a do posto de saúde, da creche e do centro de convivência na área da segunda ponte e do Eixo Viário. Os projetos foram abandonados há mais de seis anos e hoje as ruínas servem de abrigo para 20 famílias que tiveram as casas destruídas no último temporal. A presidente da Associação Comunitária Reginaldo para Todos, Admilsa Maria da Silva, diz que a situação social da comunidade já esteve bem pior. Porém, lembra que a questão da vulnerabilidade social decorre da falta de programas sociais eficientes. A entidade atua de forma assistencialista, mantém o programa do leite para 300 famílias e ajuda a alimentar outras dezenas. ?A nossa comunidade só é lembrada nos períodos eleitorais. Depois nos esquecem?. Este tipo de desabafo foi feito pela maioria dos líderes comunitários dos bairros periféricos entrevistados pela Gazeta ao longo de uma semana.