loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 30/07/2026 | Ano | Nº 6278
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

PROTESTO DE 17 DE JULHO COMPLETA 20 ANOS

Ouvir
Compartilhar

A próxima segunda-feira, dia 17 de julho, será um dia comum para muita gente, menos para o servidor público Antônio Fernandes Neto Filho, 57 anos. Ele é sobrevivente do levante de servidores públicos civis e militares que em 1997 tomaram a Praça Dom Pedro II, em frente à Assembleia Legislativa Estadual (ALE), para apoiar o processo de impeachment do então governador Divaldo Suruagy. Baleado na perna, Fernandes relembrou, com exclusividade para a Gazeta, os momentos de agonia e o medo da morte 20 anos depois. ?Quando ouvi os tiros, vi todos se deitarem, mas não sei por que fiquei em pé enquanto as balas passavam. Depois todo mundo se levantou e foi para cima dos soldados e para frente da Assembleia. Eu fui também. Depois foi que senti algo e vi o sangue. No HGE, o médico disse que por pouco a bala não havia pego na femural. Foi quando vi que poderia ter morrido?, conta. Até hoje ele não sabe se o tiro partiu dos PMs que estavam armados, dos policiais civis ou mesmo dos militares. Estes últimos de forma menos provável, já que o armamento era de grosso calibre. A bala que atingiu Antônio transfixou sua perna esquerda de trás para a frente do músculo. ?Por causa disso não é possível dizer qual era o calibre. Só sei que passei de morrer, porque o próprio médico falou que se pegasse um pouquinho mais para o lado, eu ficaria lá na praça mesmo?, diz. Quem o vê hoje, sempre bem humorado, não imagina que duas décadas atrás viveu o pior momento de sua vida como servidor público. Ele lembra que havia se separado há pouco tempo de sua primeira esposa e estava com os salários atrasados. ?Minha situação ficou de um jeito que voltei para a casa dos meus pais. Passava necessidade mesmo. Chegamos a ficar com nove meses sem salário. Devia pensão, na mercearia, onde se possa imaginar. Fui barrado até no ônibus. Teve vez de vir a pé do Centro para o Feitosa?, relembra.

Relacionadas