Política
Grupo de senadores vai � Venezuela
O nome do presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), senador Fernando Collor de Mello (PTC), foi sugerido, na sessão ordinária da manhã de ontem, para liderar um grupo parlamentar de senadores que vai à Venezuela com finalidade de dialogar com as forças políticas do país diante da crise política e humanitária que aquela nação enfrenta. Mais de 100 mortes, entre militantes ?chavistas? e da oposição ao governo de Nicolás Maduro, foram registradas ao longo dos últimos meses. Na sessão da CRE, Collor assegurou que, antes das diligências, a comissão externa manterá contatos prévios com representantes do Itamaraty e, também, com o governo e a oposição daquele país. De acordo com Fernando Collor, o Brasil não deve se omitir diante da realidade que os venezuelanos estão enfrentando, visto que é uma nação vizinha. O parlamentar já adiantou que, na sua visão, só por meio do diálogo será possível construir uma saída, ressaltando que a comissão externa será formada não com o objetivo de acabar com a crise na Venezuela, mas, sim, com a tentativa de contribuir de alguma maneira na retomada do diálogo entre governo e a oposição venezuelana. Após a aprovação do requerimento na CRE, a criação da comissão vai à votação no Plenário do Senado. ?No meu modo de ver, nessa questão da Venezuela, a busca de um consenso para voltar à estabilidade política deve partir do reconhecimento por parte da oposição de que o chavismo é algo real, ou seja, é um movimento político importante, que tem apoio popular e que tem os seus adeptos. A questão reside mais na figura de quem exerce a Presidência e que deveria propor um diálogo nacional, com a oposição reconhecendo que o chavismo é um movimento que existe. Encontrando, assim, uma maneira de haver uma transição pacífica, sem esses confrontos e mortos. É uma coisa que não tem sentido,? pontuou. O requerimento criando a comissão externa é de autoria do senador Jorge Viana (PT/AC). POBRES Durante a discussão do tema na Comissão de Relações Exteriores, Collor apontou que as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à Venezuela penalizam os mais pobres. O senador relembrou que, ao longo da história recente, estas reações dos países ocidentais sempre penalizaram os mais fragilizados da sociedade. Como solução, o senador projetou que existem ações diplomáticas por meio da utilização dos canais que podem suprimir os embargos econômicos. ?Essas medidas dos EUA em relação à pessoa do presidente, vá lá, mas, em relação ao país, à Venezuela como um todo, ou seja, cortando a importação de óleo, essa questão desses embargos, nós já temos vários exemplos de que são medidas que não levam a uma solução plausível e aceitável. Porque, com esses embargos, os que mais sofrem são os mais fragilizados, que ficam sem disponibilidade de serviços públicos, que ficam sem condições de trabalho. Não são os que estão no poder que sofrem com o embargo econômico, são os mais vulneráveis dessa sociedade vitimada por estas ações isoladas?, sentenciou. ?