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Perman�ncia de Temer agrava cen�rio de crise

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Passada a votação na Câmara dos Deputados que barrou a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB), acusado de corrupção passiva, especialistas analisam o cenário político e econômico que se desenha no País a partir de agora. Economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles afirma que ?o desemprego deverá continuar alto e as possibilidades de criação de empregos deverão surgir nas áreas precarizadas?. A reforma trabalhista, ressalta o economista, ?já está dando seus frutos mesmo antes de entrar em vigor?. Ele lembra que ?o IBGE publicou, semana passada, o indicador de desemprego. Foram criados um milhão de novos postos no trimestre de abril a junho, sendo que 400 mil vagas para trabalhadores no setor privado sem carteira assinada e 400 mil como autônomos, por conta própria. Ou seja, houve um aumento, sim, mas da precarização do mercado de trabalho. Esse é o objetivo da reforma, baratear o custo de mão de obra, pelo desemprego e pela precarização, que pressionam o salário para baixo?. Ao contrário do que afirmam aliados de Temer, o especialista assegura que não há sinais de recuperação da economia. ?O governo fez propaganda em cima de uma possível recuperação econômica apresentando alguns fatos extraordinários. Depois de dois anos com taxas negativas, tivemos, no primeiro trimestre desse ano, uma ligeira melhora no PIB graças a uma safra agrícola recorde, muito influenciada pelo clima favorável e pelas chuvas e exportações do agronegócio, que estão sendo beneficiadas pela alta dos preços internacionais?, diz o economista. Os dados de consumo no varejo, ele explica, ?estão relacionados com a liberação das contas inativas do FGTS e, agora, da antecipação da 13ª parcela do INSS. E o emprego de junho é reflexo de um aumento da precarização. É evidente a ausência de investimentos privados e públicos, que seriam o verdadeiro motor do crescimento?. Na verdade, pontua Péricles, ?a indústria trabalha com capacidade ociosa. A incerteza política e a insegurança permanecem paralisando esse setor; por outro lado, o estado brasileiro optou por um ajuste recessivo, que impede investimentos produtivos e em infraestrutura, justamente os setores que poderiam alavancar a economia?.

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