Política
Partidos pequenos rejeitam distrit�o
A possibilidade de mudança no sistema eleitoral, com a implantação do voto distrital, já aprovado pela comissão da reforma política na Câmara dos Deputados, tem deixado apreensivo dirigentes de partidos pequenos ? diga-se, com pouca representatividade ?, que consideram a medida um golpe contra as legendas. Para eles, caso a matéria seja aprovada em definitivo para o pleito de 2018, apenas os candidatos com cargos eletivos serão beneficiados e haverá dificuldade para o surgimento e o lançamento de novos nomes junto ao eleitorado, seja em agremiações de esquerda, centro ou de direita. Para o dirigente estadual do PRTB e exímio enxadrista no jogo político eleitoral, Adeilson Bezerra, o voto distrital prejudica sim as legendas pequenas e se revela como uma negação aos partidos políticos, por tornar a disputa para deputados e vereadores, a chamada eleição proporcional, como se fosse majoritária, ou seja, para presidente, governador e prefeito, na qual vence o que tiver mais votos nas urnas. ?Sou completamente contra o distritão. Com este modelo, não faz sentido fazer política partidária. Para mim é a negação da política pelos próprios políticos?, posiciona-se. Para ele, caso o Congresso Nacional aprove a reforma política com voto distrital, certamente o número de candidatos em Alagoas será reduzido. O dirigente do PRTB, que a princípio estimava lançar até 30 nomes para deputado estadual e outros 18 para federal, em 2018, supõe que estes números devem ser reduzidos drasticamente para apenas cinco candidaturas em busca da eleição. ?Caso o distritão passe, acredito que em toda Alagoas contaremos com aproximadamente 15 candidatos à disputa das nove vagas para a Câmara Federal e no máximo uns 40 nomes em busca das 27 vagas à Assembleia Legislativa Estadual?, antecipa. Diante deste cenário, Bezerra diz acreditar que o voto distrital deve ser barrado pelos deputados e senadores, embora ele mesmo se coloque contrário à formação de coligações partidárias, ainda vigente no sistema atual. ?O ideal, penso eu, seria o sistema com voto distrital misto, ou seja, metade eleita entre os mais votados e metade entre os indicados em lista pelos partidos. Neste caso, o eleitor vota no candidato e partido. Caso aprovem o distritão, depois vão sentir saudades da eleição proporcional?, reforça Adeilson Bezerra. Presidente estadual do PSOL, Gustavo Pessoa também se posiciona contrário ao voto distrital, por acreditar que a medida aprofunda a cultura do personalismo, em detrimento do debate programático, que segundo ele deveria ser o elemento central de uma sociedade que se quer democrática.