Política
Collor afirma que provará inocência no Supremo
O senador Fernando Collor (PTC) declarou que provará sua inocência no curso do procedimento que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de agora. O ex-presidente ressaltou que, durante o julgamento da Segunda Turma do Supremo na tarde de ontem, os ministros impuseram a primeira derrota à Procuradoria-Geral da República, visto que, dos nove denunciados inicialmente, apenas contra três deles os integrantes do plenário aceitaram só uma parte das supostas imputações. Ele relembrou que, assim como foi acusado injustamente à época em que foi presidente da República, provará, mais uma vez, a sua inocência. ?O STF impôs, no julgamento de hoje, uma primeira derrota à Procuradoria-Geral da República, pois, dos nove denunciados, somente a recebeu em relação a três deles, ainda assim apenas em parte, afastando cinco de oito crimes imputados, tendo os Ministros da Corte, em decisão unânime, repudiado os excessos da acusação. Mesmo em relação ao remanescente da denúncia, a Corte apontou o absurdo da multiplicidade de acusações em relação a um mesmo fato, ressaltando que nessa etapa não fazia qualquer juízo quanto à existência ou não de crime?, destacou. O senador disse acreditar que, como no passado, terá a oportunidade de comprovar a sua inocência na fase seguinte do processo, colhendo, mais uma vez, o reconhecimento de sua inocência. A decisão do Supremo não significa que os investigados são culpados, mas que a Corte precisa realizar novas diligências para apurar as supostas acusações apresentadas pela PGR. Agora, durante o curso do processo, as defesas poderão apresentar provas de inocência, com depoimentos de testemunhas e contestações jurídicas. Só ao final do procedimento, no julgamento pelo STF, o caso erá novamente analisado. Na semana passada, em defesa de Collor, o advogado Juarez Tavares afirmou que a denúncia da PGR não traz provas concretas de que ele recebeu qualquer vantagem, derrubando, assim, a versão da procuradoria. ÓDIO E INTOLERÂNCIA O senador Fernando Collor mantém sua agenda de atividades parlamentares ativa. Na última segunda-feira, ele condenou o clima de ódio, racismo e intolerância registrado em diversas partes do mundo atualmente, com picos em países da Europa e nos EUA. O parlamentar defendeu que todo e qualquer refugiado deve ter o espaço para recomeçar a vida e sobreviver, saindo das áreas de conflitos. Ele relembrou ainda que o Brasil é resultado do fluxo migratório de japoneses, italianos, alemães e povos árabes. Na sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), os convidados debateram a ?Integração e as Alianças Estratégicas no Limiar da Terceira Década do Século 21: Cooperação ou Conflito??. Collor ressaltou que o Brasil sempre ergueu pontes, e não barreiras comerciais, a não ser em um passado recente, o que prejudicou o País no avanço do desenvolvimento. O senador, ao destacar que o Brasil é resultado do fluxo migratório, cobrou tolerância para com os venezuelanos que ingressam no país devido a conflitos com o governo de Nicolás Maduro. Ele apontou que, atualmente no mundo, há 65 milhões de refugiados e o Brasil só recebeu cerca 10 mil até 2016. Collor sentenciou que a pregação do ódio, da intolerância e do racismo deve sempre ser combatida, visto que não é o caminho para o convívio pacífico. ?Estas pessoas saem do seu local de origem por perseguição política, étnica, fome, insegurança, destruição, guerras, mortes e outros. Que mal pode nos fazer receber essas pessoas? Ofertando ajuda neste momento de dificuldade? Historicamente, o Brasil sempre foi um país que recebeu bem a todos. A história mostra também que os picos de desenvolvimento registrados por aqui coincidiram com a chegada destes fluxos migratórios. Basta acessar as informações no Google e conferir. Tradicionalmente, nós somos um povo que não dá as costas para quem precisa de ajuda. Somos um país da amizade, da camaradagem. Por isso, é preciso combater o ódio e o preconceito que vem provocando diversas mortes pelo mundo?, frisou o senador. DEBATE NA CRE O aprofundamento das relações do Brasil com a Aliança do Pacífico pode favorecer a abertura do Mercosul à economia internacional, disse no debate o embaixador e secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Marcelo Baumbach. O embaixador ressaltou que a crise atual decorre da incapacidade tanto do multilateralismo quanto do regionalismo na promoção do desenvolvimento econômico. Segundo ele, a associação do Brasil ao bloco formado por Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica pode contribuir para o progresso do continente sul-americano. ?As pessoas têm medo do futuro e decidem com base nesse medo; O que o Brasil pode fazer diante disso? O Brasil deve apostar no multilateralismo e promover a liberalização da economia. Nossas conversações com a Aliança do Pacífico tendem a ser mais liberais que o Mercosul, um bloco regional não tão liberal em termos de comércio?, afirmou. ?